domingo, 28 de fevereiro de 2021

O Grimório do Kadin, pág 8

A Arte, Pt2

    Mas se precisamos de meros movimentos casuais para conjurar magia, por que os afazeres do dia a dia não conjuram? Se palavras são necessárias para conjurar, como alguém pode dizê-las normalmente? Se runas podem ter efeitos mágicos, como escrever um livro de runas sem que ele se exploda? É importante estar atento aos detalhes, cada ação pode ser mundana ou mágica, dependendo meramente de quem a executa. Chamam isso de Afinidade, característica que define quão fácil é para o conjurador ter seu desejo interpretado pela Mana. E essa "afinidade" muda não só de pessoa para pessoa, muda também conforme seu domínio da Mana, e muda de tempos em tempos de formas um tanto difíceis de compreender. Os mais religiosos chamam simplesmente de "amados pela Mana" ou algo assim. Eu discordo: a Mana é inconsequente, e aqueles "amados pela Mana" devem tomar cuidado com mesmo seus pensamentos mais inconscientes ou essa bênção se torna uma maldição.
    Já aqueles "não amados", a grande maioria de nós diga-se de passagem, devem se esforçar para ter seus desejos interpretados. A mente limpa e clara não é algo fácil de alcançar, num momento de urgência é menos ainda, e uma magia complexa eleva o grau de dificuldade a níveis impensáveis. Para ajudar a manter o foco durante a conjuração assim como ajudar a ter seu desejo interpretado corretamente pela Mana, nós usamos de nosso próprio meio de comunicação, a fala.
    Damos nomes as coisas, e com isso sabemos claramente o que os nomes representam. Por isso foi criada a linguagem Arcana, uma linguagem com o menor nível possível de ambiguidades, mas exatamente por isso o maior números de palavras. Mas não importa que língua use, desde que clareie sua mente e transmita seu desejo, alcançou seu objetivo. Similarmente são os movimentos, diminui a carga mental se movimentarmos a mana com nosso corpo. Um pouco de treinamento pode ser necessário, porém. As runas são mais difíceis de entender, não é como se um símbolo pudesse desejar alguma coisa, afinal seu sentido depende de quem escreve, mas o efeito acontece para quem vê. Os materiais por outro lado são os mais versáteis e interessantes: servem como catalisadores pro efeito, ou até modificam eles. Extremamente úteis para as magias complexas, eles podem oferecer o conhecimento que não temos, e durante a interação da magia com estes materiais os efeitos podem ser alterados dramaticamente.
    Como pode ver, no fim tudo se resume à capacidade do conjurador de transferir sua vontade para a Mana. Aqueles que estudam a natureza e buscam entender os fenômenos mais estranhos da magia, conhecidos como Magos, usam esse conhecimento para criar magia. Aqueles que conseguem conjurar devido a alguma ascendência, como os Feiticeiros ou seres como os dragões ou fadas, aproveitam de uma afinidade natural com determinados elementos e um conhecimento cultural de determinados conceitos. Aqueles que receberam o poder de conjurar de outros seres, como Clérigos ou Bruxos, usam uma espécie de canal com este ser como catalisador ou como fonte do desejo que será passado para a Mana. Os Bardos conseguem conjurar pois conseguem transferir não só conhecimentos para a Mana, mas conceitos inteiros através de sua arte. Damos nomes às coisas, mas cada uma dessas "profissões" nada mais são do que pessoas diferentes que encontraram formas diferentes de "conversar" com a Mana. Poderíamos continuar indefinidamente nomeando cada "profissão", como os Xamãs que parecem ser uma mistura de Feiticeiro e Bruxo ou os Teurgistas que são uma espécie de Magos Divinos. Seu caminho é você quem faz.
    Seu caminho é você quem faz. Cada um tem sua própria forma de se fazer ser entendido pela Mana. Você pode até ter sucesso em copiar como os outros fazem para conjurar, mas só você sabe como é a melhor forma de organizar seus pensamentos para passar sua vontade, só você sabe como movimentar seu corpo, como controlar sua Mana. Inspire-se no sucesso e no fracasso dos outros, mas trilhe seu próprio caminho.


Tá parecendo livro de autoajuda.  =p

    Bom, preciso continuar desenvolvendo como acontece a Manifestação, quero me focar num sistema em específico mas sempre que tento acabo voltando pros termos gerais. Sempre me foi mais fácil enxergar o geral mesmo, não é novidade. Muita coisa foi definida nestes 2 últimos posts, percebi que era importante analisar e preencher algumas lacunas. Nisso acabei criando mais, essa tal de Afinidade nunca me passou pela tão claramente, embora definitivamente o conceito esteve desde o começo em um canto ou outro dos pensamentos. E mais, tem desculpa melhor para explicar as inconstâncias da magia do que essa? 

    Não gosto da ideia de que a habilidade de alguém, o destino de alguém, seja decidido no momento que esse alguém nasce. Mas ao mesmo tempo, eu disse antes: a vida é injusta. Pessoas nascem diferentes, na Confluência essa diferença passa a ser ainda maior o se considerar que não tem só humanos entre as criaturas inteligentes. E Afinidade pode ser exatamente essa característica que define a diferença entre 2 conjuradores, que tiveram pontos de partidas semelhantes, tempo de estudo semelhantes, acesso aos mesmos conhecimentos... Não só isso, nada impede que ela seja alterada com o decorrer do tempo através de vários fatores, treinamento extensivo, poções exuberantes, bênçãos divinas... Poxa, até mesmo o estado emocional pode alterar a Afinidade e fazer com que uma magia se torne mais poderosa num momento crítico! (clássico aumento de poder repentino quando fica puto). 

    Também nunca cheguei a falar da linguagem Arcana, e ela de repente apareceu. Em termos de história isso seria conhecimento comum, uma linguagem mística usada pelos conjuradores, e que nem eles mesmos sabem a língua corretamente. Em temos de desenvolvimento do sistema de magia ela é uma consequência, nascida da necessidade de trazer de volta o misticismo da magia. Já tem bastante tempo que estou criando um sistema para conjuração de magia que faça sentido, e a ideia de que a Mana parece ter uma espécie de consciência parcial sempre rodou minha mente, assim como a ideia de que a conjuração depende da Mana entender o que é para acontecer antes de.. bem, acontecer. Já venho desenvolvendo as páginas anteriores tomando isso como linha de base, não quero ter que explicar cada lei, e sim criar apenas uma lei que rege geral o comportamento da Mana e tratar as exceções depois. 

    Enquanto criava acabei dando uma variada na linha de pensamento que decidi por deixar ali, primeiro por que ficou legal, segundo por que ainda tem contexto. Digo à respeito das classes conjuradoras, uma passagem superficial sobre a diferença fundamental das classes. Aqui digo classes conjuradoras pois é como as diversas histórias e jogos os tratam, mas quero remover as correntes que limitam um conjurador, devido aos jogos essa classificação acabou ficando invertida, a classe definindo a magia. Está errado, as pessoas que especializam em algum tipo de magia que receberam nomes, o certo é as magias que alguém conjura que define sua classe, e se não tiver uma classe que engloba as magias escolhidas não é problema, afinal o importante são as magias e não nossas formas de classificar as coisas. 

    Este tema está se provando mais complexo que imaginei inicialmente, e já esperava que fosse ser complexo. Definir como acontece a Manifestação da Magia sem descartar tanta coisa deixa meu trabalho mais difícil, mas ao mesmo tempo o resultado disso vai ser muito mais satisfatório, não estou com pressa pra terminar, quero fazer bem feito. E os próximos passos já foram definidos: detalhar mais sobre as regras da Transformação e da Manifestação, só quando eu conseguir conjurar uma magia mais complexa que Luz que eu vou feliz. =D

sábado, 30 de janeiro de 2021

O Grimório do Kadin, pág 7

A Arte, Pt1 

    Há muitas energias por aí que podem ser utilizadas para conjurar magias, e há muitos mundos por aí que desenvolveram suas próprias formas de usar estas energias. Conforme as gerações passaram, os conjuradores foram evoluindo suas formas de conjurar e independente dos objetivos deles objetivos a magia evoluiu. Mas em cada lugar, em cada aldeia, cada civilização, a magia evoluiu de sua própria maneira. Há até aqueles que se ofendem se chamarmos o uso dessas energias de Magia ou o usuário de Conjurador, de tão diferentes os caminhos tomados pelas pessoas, e tão diferentes as próprias energias podem ser umas das outras. Este grimório é uma herança de um praticante da Arte, uma forma ancestral de moldar a Mana ao desejo do conjurador, tão ancestral que o tempo não sabe medir, e tão ramificada que gerações de historiadores não conseguiriam explicar suas origens. Nós damos nomes as magias que criamos, esta que recomendei como primeira magia tem o nome Luz, um nome prático para uma magia prática. Também categorizamos estas magias de acordo com sua complexidade, esta é talvez a mais simples das magias do primeiro Círculo.
    Para conjurar Luz, você teve que passar para a Mana seu desejo, explicar para ela o que é o efeito, como é o efeito, enquanto limpa sua mente de outros pensamentos que poderiam também ser interpretados pela Mana e atrapalhado sua conjuração. A Mana que está sob seu domínio tem um potencial de transformação inimaginável, mas depende de você dizer pra ela o que ela vai ser. É aqui que entra a diferença entre a magia Luz e as outras magias mais complexas, você consegue ter uma visão clara de como é a composição de um portal dimensional? Mesmo se soubesse cada detalhe de como funciona um, até terminar de passar esse conhecimento para a Mana sua mente já se esqueceu das partes anteriores. A Mana não tem memória, não vai aprender mesmo se você explicar os fatos mais simples, ela apenas te ouve. Você teria que passar todo o conhecimento de uma vez.
    Para acompanhar a complexidade exigida pelas magias, criamos formas de ordenar nossas vontades para a Mana, para que a magia seja executada passo a passo. Podem ser palavras, runas, movimentos, sinais, materiais, sons... Qualquer coisa que faça com que sua vontade possa ser interpretada pela Mana é uma ferramenta de conjuração. Aprenda essas ferramentas e como usá-las, e estará conosco entre os praticantes Da Arte.

    Antes cheguei a comentar sobre a diferença entre magia e tecnologia, disse que cada magia é única, uma obra de arte. Nada mais justo do que chamar o conjurador de Artista, e a conjuração de Arte! Mas sinceramente, prefiro conjurador mesmo >.<”
    No post anterior eu comentei sobre o problema da conjuração baseada simplesmente no pensamento, você deseja e acontece. Inicialmente eu pensei em o que mudar para corrigir isso, mas então descobri que o que falta é mais explicação. Tenho que dar mais atenção ao 4º e 5º passo da conjuração, a Transformação e a Manifestação. Tenho que criar uma forma que permita tudo que disse querer permitir em regras simples.


    Então, como diria nosso amigo Jack, o Estripador...

Vamos por partes 

 
Quais são os fatos que devem estar alinhados com o sistema de conjuração?
  • Primeiramente, estamos falando de Conjurar usando Mana com seus 5 passos: Sentir, Manipular, Subjugar, Transformar e Manifestar.
  • Segundamente, eu não quero somente 1 sistema, eu quero que seja possível a criação de outros sistemas também, e amplio isso para as outras energias além da Mana, e qualquer combinação entre elas.
  • De um ponto de vista de 1º pessoa, existem 3 tipos de Mana: a que está sob seu domínio, a que está sob domínio de outro, e a que está fluindo na natureza.
  • A Manifestação deve ser capaz de trabalhar com todo tipo de energia que a Mana pode se transformar (o 4º passo vem antes do 5º!).
  • Também tem as minhas próprias opiniões e vontades alinhando o destino do sistema. Um dos motivos de estar tão aberto às possibilidades é que gostaria de um dia ter outros arcanos colocando suas vontades na magia, mas o que tenho hoje é o que tem pra hoje.

    
Eu gosto da divisão da magia em "Círculos" (níveis, camadas, tiers, e por aí vai), só nunca sequer comentei sobre isso antes pois gostar é uma coisa, explicar é outra. Nas histórias, os círculos da magia com classificações que separam tanto as magias quanto os próprios conjuradores por habilidade, efeito, dificuldade, ou o que for que o autor considerar. Mas aqui, os Círculos se encaixaram tão bem que mal preciso de explicar! Importante deixar claro que, para mim, é a dificuldade quem define em qual círculo uma magia estaria. Conseguir organizar as magias em níveis de dificuldade ajuda bastante o conjurador a se decidir se vai ou não tentar aprender uma magia. Acho que comecei a derivar um pouco do assunto... 

Um Pouco de Falta de Física...

    Para que eu possa continuar definindo como funciona A Arte, preciso definir melhor como a Mana se comporta, por que ela faz o que faz e por que ela não faz o que não faz. Não posso mais continuar com metáforas e comparações, coisas precisam ser definidas. Então explicando os comportamentos da Mana:

  • Ela se comporta como uma energia que não depende de matéria, e parece não interagir com nada, apenas passa através das coisas como se não estivessem lá. 
    Esse comportamento por si só já é resultado de múltiplas leis agindo em conjunto. Vou aqui dizer que de certa forma a Mana é como a luz, uma partícula, uma energia, e uma onda ao mesmo tempo. Mas de certa forma é como a matéria escura do vácuo do universo, que quase não interage com as outras coisas. Bom, na verdade a Mana interage sim com muita coisa, é só que os efeitos são difíceis de perceber, então parece que não interage.
    Já as coisas com as quais a Mana interage são por causa de alguma característica que possuem, que diretamente ou indiretamente interage com alguma característica que a Mana possui. Gosto de pensar nos famosos Cristais de Mana que tem em quase toda história envolovendo magia, minerais que crescem em locais com alta densidade de Mana, com a parte de matéria da Mana ficando presa lá no meio, um mero exemplo superficial pra explicar meu ponto.
    Outro exemplo seriam os próprios conjuradores, que por qualquer motivo que seja conseguem sentir e interagir com a Mana. E este motivo pode ser que, igual a audição ou a visão, temos a capacidade de sentir diferentes diversas frequências das energias místicas, mas esse sentido está qualquer coisa entre dormente, mal nutrido, danificado, mal desenvolvido, qualquer combinação destes ou ainda outros não descritos.
    É apenas lógico que um aprendiz em seu primeiro estágio, ainda aprendendo a sentir a Mana, tenha mais chance de sucesso quando em contato com quantidades maiores dessa energia. Sabe o peso que a água tem quando mergulha? Agora tenta mergulhar vários quilômetros mar abaixo pra ver se água não pesa.

  • Ela se comporta como uma pessoa preguiçosa que quer algo e não faz nada para conseguir este algo.    
    O que significa que a Mana tem um potencial latente mas é incapaz de alcançar isso sozinha. E sendo incapaz de interagir com muitas coisas ela se mantém nesse estado potencial indefinidamente, até que finalmente entre em contato com algo que consegue ter interação.
    Esse novo sentido pode então ser tanto passivo quanto ativo. Assim como o tato, percebemos apenas aquilo em que estamos encostados, mas podemos nós mesmo encostar nas coisas para usar o tato. Uma vez que a Mana é uma energia, nós não movemos ela como movemos a matéria, então esse sentido poderia, digamos, colocar um foco que atrai a Mana, ou um oposto de foco que expulsa ela.

  • Existem 3 tipos de Mana: a que está sob seu domínio, a que está sob domínio de outro, e a que está fluindo na natureza
    Se a Mana funciona como se fosse uma onda, então posso dizer que como as outras ondas ela tem frequência, amplitude, comprimento mas principalmente, pode entrar em Ressonância. Como se cada pessoa tivesse sua própria assinatura em forma de uma ou mais frequências de Mana, e ao fazer com que a Mana entre nessa mesma frequência ela se sincroniza melhor com você. Como cada pessoa tem sua assinatura, é muito mais difícil você interagir com as energias dos outros, a não ser que você quebre essa sincronia e faça com que a Mana volte ao seu estado desordenado natural.


  • Um conjurador pode treinar o próprio corpo para absorver Mana que estará sempre sob domínio dele
    Assim como meramente sentir a Mana precisa de treinamento, o corpo também precisa. No caso do corpo é por que, primeiramente, ele não está "sintonizado". Cada célula é única, e por isso variações na frequência natural acontecem (pff, sorria e acene xD). Você sincroniza seu corpo de volta usando a Mana, e sincroniza a Mana usando o corpo. É mais fácil para as coisas irem para seu estado natural do que o oposto, portanto pouco a pouco ambos vão harmonizando até que estejam sintonizados com sua própria frequência de assinatura. Ambos voltam ao seu estado natural quando o processo acaba, a Mana volta pro ambiente em sua entropia de frequências, enquanto o corpo continua na mesma frequência pois é assim que deveria ser desde o começo. Sem treinamento ele pode voltar a ficar desordenado também, mas aí é outro assunto. Uma vez que seu corpo está "sintonizado", parte da Mana do ambiente, que por coincidência está na mesma frequência, é simplesmente atraída, como se você estivesse se focando no controle (2º passo), mas agora sem a necessidade de fazer isso ativamente. Ainda nesse assunto, o uso e abuso do corpo no domínio causa exaustão como qualquer exercício físico, o uso e abuso do domínio ativo causa exaustão mental como qualquer outro exercício mental, e o uso de qualquer energia que não esteja corretamente sincronizada pode causar danos quando movimentado através do corpo, o abuso pode ser fatal.

  • A Mana pode ser transformada em várias outras energias, e o conjurador deve fazer essa transformação como parte do processo de conjuração da maioria das magias. 
    Percebi que expliquei muito pouco sobre como ocorre o 4º passo, a Transformação. Lembrando: usa-se a Mana como uma energia “neutra” até o momento da conjuração, em que se transforma ela nas diversas energias que a conjuração possa exigir. Isso ocorre pois no momento que ela se transforma em outra energia ela passa a seguir outras regras, o que significa que já não funciona mais como a Mana funcionava, ou seja, o seu Controle dessa energia já não é mais o mesmo, se é que se tem algum controle ainda.
    As regras do controle dessas outras energias podem ser superficiais mesmo, deixo tudo que já existe seguindo as mesmas regras que já existem, como o fogo precisa de oxigênio, combustível e calor para queimar, ou a eletricidade precisa de uma diferença de potencial e corrente suficiente para superar a resistência para fluir, e por aí vai. O importante aqui é que se eu quiser conjurar, por exemplo, a magia Luz basta acumular Mana suficiente e transformá-la em luz. Se quiser conjurar um jato de chamas, o processo é semelhante mas você também precisa expulsar a Mana com pressão suficiente para as chamas irem pra longe numa direção e não queimar as suas mãos, além de obviamente ter Mana suficiente para sustentar tanto consumo.
    A Transformação se aproveita do potencial de mudança da Mana, de alguma forma você diz para a Mana o que quer que ela seja e ela então se transforma naquilo. E digo aqui que essa forma é herdada, como se fosse algo cultural. Cada cultura de conjuradores descobriu, ou herdou de outra cultura, sua forma de conjuração, e essa cultura é o que venho sempre chamando de Sistema de Conjuração, enquanto essas regras básicas que venho definindo agora seria a Teoria da Magia, e o Sistema de Conjuração que quero dar foco recebe o nome de A Arte.

  • A Manifestação é o que diz como vai ficar a magia no fim das contas, e deve ser capaz de trabalhar todo tipo de energia nas quais a Mana consegue ser transformada, salvo exceções. 
    O 5º passo nada mais é que o uso ordenado dos passos anteriores. Você não vai ter sucesso na conjuração se não conseguir sentir o fluxo de Mana, não vai ter Mana para conjurar se não conseguir controlar ela, não vai ter Mana suficiente nem controlar ela corretamente se não estiver sob seu domínio, e a Mana pura tem pouca utilidade já que quase não interage com as coisas, portanto é necessário transformar ela em algo que será capaz de alcançar o efeito que você quer.
    Faça todos estes passos e pode conjurar uma magia simples. Faça todos estes passos com inteligência, foco e habilidade e pode conjurar uma magia melhor. Faça todos estes passos várias vezes em paralelo de forma ordenada e temporizada e consegue conjurar magias avançadas com efeitos mais complexos.


    Gostei do resultado até aqui. Mas ainda falta o bendito do sistema de magia, como ele vai acontecer? Quais são seus princípios? Como fazer com que a Mana se transforme naquilo que quer? Fica pra um próximo post, esse já está grande demais.

sábado, 19 de dezembro de 2020

Prateleiras e Estantes

"Todos tem as mesmas 24hrs de um dia". E ainda assim tenho certeza que você conhece alguém que consegue fazer muito mais que você enquanto fica reclamando que não tem tempo pra fazer seja lá o que for. 

Eu reclamei que tinha falta de tempo num outro post, mas a verdade é que era uma mistura de cansaço e preguiça mesmo. "Tempo se faz". Dê prioridade às coisas certas e dá tudo certo (é fácil falar). Estava escrevendo exatamente este trecho quando minha irmã de repente me chama pra jogar Stardew Valley junto com ela. Gosto do jogo, gosto de jogar junto com ela, mas minha prioridade agora é fazer este post, terminando aqui, se ela estiver jogando ainda a gente joga. Não entenda errado, jogar alguma coisa, entreter a mente, descansar, socializar, passar um tempo com a família, há vários bons motivos defendendo você parar seu serviço no meio do caminho e ir jogar com a sua irmã! Eu só analisei a proposta dela e a minha própria, e decidi que preciso fazer a minha primeiro "Quem não escolhe é escolhido". Eu fiz meu tempo, planejei este post e vim executar esta tarefa. 

Assim termino a introdução com a dica mais "dica pra vida" que já dei alguma vez. =p


Uma estante melhor

Quando revivi este blog alguns meses atrás, eu tinha como um dos objetivos a procura de um lugar para organizar minhas explorações na Confluência. Até encontrei um jeito que daria certo, mas estava muito trabalhoso. Até cheguei a dizer logo no primeiro post que eu ia escrever o que viesse a mente aqui sem me preocupar tanto com ficar enfeitando as palavras, mas ainda assim um mínimo de qualidade é necessária. Portanto foi bem fortuito quando por necessidade de organizar meu tempo, meus projetos em aberto e minhas tarefas do dia a dia, eu decidi começar a usar o Trello. Serve muito bem para uso pessoal, se você alimentar seus cards diariamente. Acho que agora a introdução começa a fazer mais sentido, não? 
Essa mudança me fez perceber que a estante que tinha montado antes estava mais para caixas e prateleiras, cospobre, gambiarra. Bom, é algo que quero pra vida, se eu um dia quero conseguir ganhar dinheiro com isso, vamos profissionalizar, não é?! O Trello ainda não é feito exatamente para guardar notas, mas em termos de organização foi excelente! 
E com isso o blog volta a ser o que deveria ser, um dos portais da Confluência, desta vez para o Mundo Real. É, você aí do Mundo Real que está lendo isso, bem vindo a Confluência! =p
E também com isso devo conseguir manter uma estabilidade maior nos posts aqui, com planejamento e organização mesmo com o tempo apertado vou arranjar tempo para pelo menos 1 post por mês. Não é muito, mas é melhor que deixar morrer uma segunda vez. 


Todo grande mago tem um aprendiz

Eu gosto muito de ouvir músicas. Hoje em específico eu quebrei um padrão e estou escutando Ira! enquanto escrevo este post. Queria ter vivido a época de ouro do Rock'n'Roll no Brasil. Mas meu celular estava ficando lento, travando até para apenas tocar músicas, depois de meses de planejamento (queria ser pobre um dia, ser todo dia é foda!) eu comprei um novo, melhor, que deve durar mais 6 anos aí. Toda semana descubro alguma função nova que o celular faz mas que não tinha acesso antes, o assistente por voz está funcionando muito bem! 
Enfim, voltando ao assunto, disse que o Trello não é bom para guardar notas. Disse também querer profissionalizar minhas ferramentas. Então perguntei ao Google Assistente: "Você consegue gravar minha voz para eu escutar de novo depois?", e me surpreendendo ela disse "Não consigo gravar sua voz, mas você pode querer usar o Google Keep", bom, talvez não nessas palavras, quem aí se lembra das palavras exatas de um diálogo? E um diálogo com seu próprio celular?
Então fui atrás de entender o que este App faz. E o que ele faz é salvar notas. Em vários formatos além de texto. Como áudios e imagens. PORRA GOOGLE!!! PQ VOCÊ NUNCA ME APRESENTOU ESTE APLICATIVO ANTES?!?!? VOCÊ JÁ SABE ATÉ O QUE VOU PENSAR EM SEGUIDA  E NÃO ME DISSE ISSO?! Insta win carai, foi uso imediato, e satisfação imediata após o uso. Se seu celular tem Google Assistente, diga aew, "Google, você é foda!". De nada. 
Ganhei um assistente, não é um aprendiz mas tudo bem, todo grande mago tem um assistente também. Só falta ser um grande mago. 

sábado, 17 de outubro de 2020

O Grimório do Kadin, pág 6

 

 Mana: Domínio, Transformação e Conjuração, Pt2

    A Mana não está parada no ambiente, ela flui, as vezes fica mais rápida, as vezes fica mais densa, então sente-se e feche os olhos, concentre-se em sentir a Mana ao seu redor. Quando puder dizer para que lado a Mana flui, procederemos para o próximo passo. Quando chegar neste ponto se concentre não na Mana do Ambiente, mas naquela que já dominou. Exerça seu domínio, manipule esta energia, você deve perceber agora os resquícios, um rastro de Mana que ainda resiste ao teu comando, que não está completamente sob seu domínio. É consideravelmente difícil evitar que isso aconteça, quando se concentra no todo pode não conseguir se atentar a uma parte, quando se concentra na parte pode perder o seu domínio do todo. Deve expelir toda a energia que não consegue dominar, mesmo que sobre pouco.
    Qualidade sobre quantidade. Você pode exaurir seu corpo bem depressa ao mover grandes quantidades de Mana, e pode alcançar o mesmo resultado com apenas uma fração desta quantidade de Mana que esteja sob seu domínio completo.
    É fortemente sugerido que como primeira energia para transformar seja para a luz. Ela também pode ser nociva ao seu corpo, não se engane, mas apenas em grandes quantidades, um iniciante não terá um problema como este. Pode tentar começar com a imaginação, levante a ponta do dedo, imagine o que aconteceria se ele brilhasse, como seria essa luz? Qual cor? Qual a intensidade do brilho? O que estaria sendo iluminado por ela? Agora tenta mover a sua Mana para a ponta do seu dedo, concentre-a e então ordene-a para que se acenda. Use o pensamento que melhor lhe servir, diga em voz alta se preferir. Não se esqueça de manter sua concentração na Mana. Quanto mais clara sua mente for, melhor. Tente, tente de novo, no sucesso, terá conjurado sua primeira magia. 


Queria seguir em frente, por a teoria à prova. Sabendo os passos para conjurar, qual magia conjurar então? Abri um livro do D&D, e busquei por um truque de Nv 0 que fosse mais comum: Luz. É perfeito! 

Então voltei a escrever me inspirando nas páginas anteriores, como se fosse um mestre ensinando seu aprendiz. Agora sim se parece com aqueles episódios que mostram como é a aula do protagonista durante seu treino, não é mesmo?

Estão aqui os 5 passos, todos em ordem, parece fazer sentido, gostei do resultado até aqui. Vamos continuar, testar com outra magia, uma básica mesmo mas um pouco menos convencional: Rajada de Veneno. Agora complicou um pouco: basta o conjurador pensar em como seria o efeito e ele acontece? Não se parece com os magos que passam uma vida de estudos nas coisas mais diversas, que dizem que conhecimento é poder. Só imaginar e a magia acontecer é tão... Disney. Feérico. Onírico. Não é ruim, mas também não é o que eu estou buscando. Sou um CDF da magia, mim dá licencia? 

O problema aqui está na Manifestação, o 5º passo. De fato, aquilo que diferencia cada magia está aqui, não se pode deixar isso tão simples, precisamos de um sistema que compreenda todas as magias (numa regra geral que pode estar cheia de exceções, é claro), e que não seja tão complicado também a ponto de só os magos CDFs podem conjurar desta maneira. 

Novamente usando D&D como referência, a magia de lá possui componentes verbais, somáticos, materiais e alguns outros, isto me dá um belo ponto de partida. Nos filmes também há várias referências, em Doutor Estranho ou Warcraft, mesmo alguns animes como Full Metal Alchemist, Fairy Tail ou Overlord, os personagens fazem magia (ou alquimia no caso do FMA) usando círculos mágicos. Sempre vi os círculos como uma forma de conjuração mais baseada em rituais demorados, e um brilho neon no ar por mais legal que seja é muito chamativo pro meu gosto, mas sem dúvida servem de inspiração. 

É nesta etapa que mora A Arte, como se faz a conjuração, como a sua magia vai ficar afinal. Tem que ser bem feito. Há muito me inspiro também em Magic, The Gathering: eles tem um tomo livro de regras, mas novas mecânicas são adicionadas periodicamente, e cada carta tem permissão de abrir uma exceção à regra. Em outras palavras, posso ir criando diferentes mecânicas para a manifestação e pegando as melhores para tornar oficiais. Funciona.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

O Grimório do Kadin, pág 5

 Mana: Domínio, Transformação e Conjuração, Pt1

    Após aprender como dominar e manipular a Mana é quando alguém pode de fato tentar conjurar uma magia. Claro, isto é seguindo o caminho de um mago, um caminho amplamente seguido e que pode levar quase qualquer um ao primeiro círculo, dado tempo e dedicação suficientes. 
    Mana é uma energia, interage apenas com aquilo que interage com ela, que volta ao seu estado natural semi passivo assim que sai do domínio do conjurador. Mana é a energia que usamos para conjurar magias, mas primeiro temos que transformá-la, convertemos ela em outra energia, outra Mana, que fará a magia acontecer. 
    Qualquer energia fora do domínio de alguém pode ser nociva ao corpo deste alguém, mesmo Mana não é exceção, então é fácil saber do perigo de convertê-la para, digamos, o calor necessário para a clássica Bola de Fogo. É aqui que entra ter um bom domínio sobre a Mana, e para se ter um bom domínio é necessária uma boa precisão em senti-la.
    Isso não é fácil. Sabe dizer a forma do vento quando a brisa bate em seu corpo? Sabe ao menos dizer de onde veio essa brisa, ou pra onde ela vai? E quando essa brisa só passa perto de você, sabe ao menos dizer que ela esteve por lá? Agora, e se fosse uma energia que sempre esteve ao seu redor, mas que precisou de todo um treinamento para apenas começar a sentir?


Passei um bom tempo refletindo sobre reserva de mana, regeneração de mana, por que uns tem mais mana que outros, sendo que a mana está por aí no ambiente. Fiz uns esboços, coloquei no papel alguns fatos (como eu queria ter encontrado esse papel agora para compartilhar aqui...), e acabei percebendo que não posso deixar os conjuradores usar a mana do ambiente para conjurar. Logicamente falando, como se daria o desgaste corporal, a limitação que havia imposto para capacidade do conjurador, se ele só precisasse falar ao ar e a magia acontece? Como se daria a explicação da reserva de mana? No fim, não quero fazer com que os conjuradores estejam completamente bloqueados de conjurar usando a mana do ambiente, porém deixo isso para certas técnicas, certos caminhos, deixo isso para as exceções, e por hora vamos com a regra geral: Existem 2 Manas, a que você pode absorver do ambiente e a da sua barra de mana, lore wise a sua barra de mana é um tipo diferente de Mana, uma transformada, com a sua assinatura digamos assim. Isso foi decido já há várias páginas do grimório atrás, mas só agora é que conseguimos montar tudo. 

Então temos 5 passos para conjurar (usando a Mana):

  1. Sentir
  2. Manipular
  3. Subjugar
  4. Transformar
  5. Manifestar
    Aqui então digo que uma magia é um ou mais fenômenos alimentados por uma ou mais energias (espera aí, isso não está parecido com a definição de Trabalho?). 
    A ação é definida pelo conjurador, e passada para a energia de alguma forma, como a voz por exemplo, a manifestação da vontade do conjurador. E para que não sejam apenas palavras vazias, ele imbui uma energia nessa manifestação (5º passo), essa energia tem que estar adaptada à ação que irá alimentar, usando um exemplo do mundo real: uma lâmpada se acende com eletricidade, outras energias não vão funcionar. 
    Para imbuir essa energia, o conjurador tem que ser capaz de controlar ela, mas ser capaz de controlar cada energia deve ser beeem difícil, então não seria mais fácil controlar uma energia só e transformar ela nas outras no momento da alimentação? Novamente usando eletricidade como exemplo, nós movemos eletricidade por todo o país para só então eletrodoméstico comum transformarmos essa energia em algo útil, como calor pra um chuveiro ou as várias características da luz de uma TV. Logo, usa-se Mana como uma energia neutra, e no momento da conjuração transforma ela numa energia especializada (4º passo). 
    Como disse antes, não posso deixar que o conjurador use a energia do ambiente para isso, ela tem que estar sob seu controle. Então para transformar a Mana e imbuir ela na manifestação da magia, o conjurador tem que subjugá-la ao seu domínio (3º passo).
    Mas não se pode subjugar a Mana sem ser capaz de controlar ela, logo o conjurador primeiro tem que ter uma boa manipulação da Mana (2º passo).
    E não se pode manipular a Mana sem nem saber que ela existe ou onde está, então começa-se afiando seus sentidos (1º passo). 

sábado, 10 de outubro de 2020

O Grimório do Kadin, pág 4

 Energias, Mana e Primeiros Passos, Pt3

    O seu entendimento de como fazer a Mana se mover é o que chamados de Manipular a Mana, e este domínio influencia diretamente em seu potencial como conjurador.
    Existem formas de saber como está seu domínio no Sentido e na Manipulação da Mana, e para a terceira etapa, um bom controle é necessário. Até este momento, o que foi feito foi na Mana do ambiente, e este tipo de domínio é lento e limitado, o potencial de transformação da Mana não é explorado assim, você te, que remover a resistência dela, subjuga-la, transforma-la em uma energia que é sua, e para isso, você usa seu próprio corpo. É por isso que um domínio é necessário, não tem como uma energia descontrolada correndo pelo seu corpo ser algo bom.
    Seu corpo é como uma esponja, e a Mana ao seu redor é a água. Absorva-a. Mova a Mana pelo seu corpo, expulse-a e absorva novamente. Faça devagar, não se force, acostume-se com o sentimento, acostume seu corpo com a energia que flui em você.
    Duas mudanças ocorrerão: seu corpo passará a se comportar de fato como uma esponja, absorvendo sozinho a Mana sem que você precise fazer algo a respeito; e a Mana em você passa a ser mais ágil, mais concentrada, e flui melhor. Perceba que assim que ela deixa seu corpo ela rapidamente volta a ser como a do ambiente, se isso acontecer é porque aprendeu como dominar a Mana. 


Não gosto da ideia de que magia seja infinita. Ela não é onipotente, e o conjurador menos ainda. É necessário algum limite nisso, a resposta novamente foi tirada das histórias, mas dessa vez foi até instintivo: o próprio corpo do conjurador é o canal para usar a Mana (e as outras energias também, embora eu não queira fazer dessa uma regra absoluta), mas para fazer isso ele sofre desgaste. Sempre haverá um limite em quanta Mana o conjurador pode manipular, por mais adepto que ele seja. 

Essa maneira também trás outras vantagens: já explica por que alguns conjuradores conseguem manipular mais energia que outros, explica o conceito de Mana Regen passivo, e até toca nas bordas de eficiência de conjuração, como Velocidade na Manipulação da Mana e Concentração da Mana, coisas que podem ser usadas mais pra frente. De fato, essa eficiência na conjuração é talvez a diferença mais fundamental entre um feiticeiro e um mago, mas isso fica para outro post, ainda farei uma comparação entre todas as classes conjuradoras. 

Penso também que não são todas as pessoas que são aptas a manipular a Mana desse jeito, mas não vamos pensar nas exceções agora. A vida é injusta, um pode ser melhor que outro usando a mesma quantidade de esforço, mas ao mesmo tempo não gosto de definir coisas de nascença, então mesmo que uma pessoa nasceu sendo completamente incapaz de conjurar magias, falhe em cada forma de se tornar um conjurador, sempre terá outro jeito. 

Já vou adiantando aqui: não quero definir nomes, não quero definir classes, não quero essas limitações que só fazem sentido para equilibrar classes e limitar papéis de jogador, então conforme esse projeto progredir eu posso usar os termos que existem por aí apenas como nomes, mas como disse logo no começo do Grimório, seu caminho é você quem faz, e a Teoria da Magia tem que permitir isso. 

Então é isso, deixo aqui a página 4 do Grimório, com pelo menos uns 3 ganchos para páginas futuras.