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segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Hikari Mahō - Que haja Luz! Utevo Lux! Lumos! Globo de Luz!

    Esse hiato foi grande. Nunca fiquei mais de um ano longe das postagens '-'
    O nome disso é procrastinação.
    Mas aqui estou eu, querendo não enrolar muito com a introdução pois estou chegando com os 2 pés na porta. Yep, tô inspirado.


    Talvez eu deva mudar Transformar para Construir...

    Eu sempre tive algum problema com esses 2 últimos passos, na verdade era de se esperar já que são neles que a magia de fato acontece (considerando a magia com o uso da Mana, nunca devemos nos esquecer deste detalhe). Acontece que na Transformação o que é feito é tipo dar a Mana as instruções sobre no que ela vai se transformar, mas antes de dar as instruções é necessário construir essas instruções, entendeu a brincadeira? Esse papo todo de runas, círculos mágicos, módulos, componentes verbais, somáticos, passar o conhecimento para a Mana pela própria mente usando meramente o pronfundo entendimento sobre o assunto, isso tudo são os meios de dizer pra Mana o que ela vai se tornar, e então ela se torna. A Mana se tornar o efeito desejado é o fim do 4º passo, ou o começo do quinto, meio que tanto faz já que o 5º passo, a Manifestação, sempre foi meio que um ciclo, um "agora faz de novo" até que toda a magia esteja pronta. 

    Dito isso tudo, eu quero chegar neste ponto: O conjurador manipula um fluxo de Mana e faz essa Mana passar pelo gatilho que vai fazer ela se transformar no efeito desejado. Por exemplo uma runa só faz efeito na Mana que passa por ela, ou no caso de componente verbal ou psicológico, vai acontecer no momento que a palavra terminar de ser dita, que o pensamento terminar de ser construído. No momento que ela sai desde "transformador"(preciso de um nome que agrupe todos esses componentes), a Mana já é aquele efeito ou carrega aquele efeito. 
    Só rapidamente, em outro post eu comentei sobre como a Mana deve se comportar quando ela deixa de ser Mana e passa a ser o efeito, e bom, decidi que ela não deixa de fato de ser Mana e ainda responde ao controle típico de Mana, só que quanto maior o poder transformativo do transformador, mais "real" é a transformação e menos ela response como Mana. Deu pra entender ou ficou complicado? Pra mim parece claro. Pelo menos por que eu estou escrevendo agora, se o meu eu do futuro ler isso e não entender aí vou me sentir como você agora hahaha. 
    Enfim, voltando.... Agora eu queria construir a clássica magia de Luz pela o que, 3º vez? Bora. 


    Conjurando Luz, de novo e de novo

    Na primeira vez, eu usei apenas o aspecto psicológico em cima dos 5 passos da conjuração. Funciona, mas porquê? Por que ao pensar em todos os aspectos de como a luz é, sua cor, brilho, temperatura, enquanto manipula um fluxo de Mana com a mente, o conjurador está, digamos, ligado à Mana naquele momento e seus pensamentos são "ouvidos" pela Mana, que teve seu empurrão, antes ela podia ser qualquer coisa em potencial, agora ser uma fonte de luz com as características pensadas tem maior peso e ela enfim se transforma naquilo, e vai permanecer transformada em luz e se espalhando por aí até que isto deixe de ser real e ela volte a ser Mana, se dissipando no ambiente. A intensidade do brilho neste caso se dá pela profundidade do conhecimento do conjurador, que seria tipo a eficiência do transformador, e também quanta Mana está sendo convertida por tempo. 

    Na segunda vez, eu discuti sobre a aplicação dos então chamados módulos, aqui chamei de transformadores, e compliquei a vida explanando sobre as diversas formas de se conjurar e sobre o limite da liberdade dada ao jogador do ponto de vista de bugs e exploits. Mas focando apenas na magia, é exatamente o que venho dizendo neste texto de hoje, o conjurador manipula um fluxo de Mana até o transformador ou transformadores e na saída a Mana agora é o efeito, no caso a luz. A diferença foi que dessa vez é mais controlável e mais global, mais... independente do conjurador, se ligou? 

    Definindo...

  • O transformador, que vou nomear como Agentes, faz com que a Mana se transforme ou pelo menos adquira as características do efeito do Agente. 
  • Eles são pré-definidos, mas existem em uma variedade ampla demais para listar. 
  • Seus efeitos não são exclusivos, pode-se ter um cristal de luz como componente material que emite o mesmo brilho branco que a palavra mágica Lux ou uma runa Brilhar, agentes criados agora apenas como exemplo. 
  • E pode-se ter luzes diferentes também dependendo do agente, se o conjurador viveu sua vida numa caverna e a única fonte de luz é um brilho azulado de um mineral, a magia de luz dele vai sempre tender a esta cor pois é como ele conhece a luz. Se usar sulfato de cobre como componente material e a magia correta para fazer luz (pois nesse caso a luz é proveniente da queima do componente, ligeiramente diferente), o brilho sairá esverdeado. 

    Isso conta como conjurar Luz pela 3º vez? Vou considerar que sim =p


    Ampliando os controles do Controle 

    Tá, legal conseguimos conjurar magias, mas elas estão sempre vinculadas a um fluxo de Mana. Significa que o conjurador precisa então estar sempre se concentrando para fazer qualquer magia? Bom, nos casos acima sim, mas seria legal ter outras formas de manipular a Mana. 

  • Vamos dizer que é possível comprimir Mana num espaço, numa esfera, e ela se mantém nesse formato esférico mesmo que o conjurador deixe de se concentrar nela, se dissipando pouco a pouco, também de forma manipulável, digo, a dissipação é inevitável, mas controlável.
  • Também é possível criar fluxos de Mana estáveis vindos de outras fontes além da própria reserva corporal, como por exemplo esses focos de Mana concentradas, e, obviamente, a saída de outros agentes.
  • É possível aplicar agentes nestes focos também, eles poderiam agir sobre toda a Mana do foco de uma única vez ou apenas sobre aquela Mana que é emitida pela dissipação, de forma omnidirecional, enquanto que os fluxos são direcionais.
  • Enquanto o foco de Mana ainda é a Mana subjulgada pelo conjurador, ainda pode-se realimentar este foco, movimentar, alterar, dissipar o foco... 

    Conjurando Luz pela 4º vez, eu comprimo Mana num foco e aplico um agente de luz branca na Mana que é emitida de forma omnidirecional pelo foco, assim tenho o clássico Globo de Luz do D&D, também com sua posição controlável através da concentração! =D

    Será que o Grimório do Kadin vai começar a finalmente ser um grimório no sentido clássico, um compêndio de magias, por causa de todas as magias que vou desenvolvendo para testar o sistema?

sábado, 17 de dezembro de 2022

Metamagia: O jogo por trás do sistema mágico

     Cá estou eu de novo. Semanas turbulentas essas últimas viu. Enfim, bora alimentar esse blog que já tá sumindo dos resultados de pesquisa do google de novo. Realmente um blog talvez não seja o melhor formato. E sobre o que falarei hoje? Bom, existe uma série de pensamentos que sempre vem e volta e acho que chegou a hora de comentar um pouco deles, várias ideias de como seria o jogo no fim das contas. Coisas que podem ser ditas como Mecânicas, Dinâmicas e/ou Experiências desse jogo que engloba a criação de magia através de um sistema mágico tão complexo e realista, como nunca antes visto (por mim pelo menos).


        Como sempre, começando pelo começo

    O Grimório do Kadin é uma tentativa minha de criar regras que fazem sentido para um sistema mágico fantasioso, com o objetivo final de criar um jogo em cima desse sistema. 

    Sonho com o dia em que isso está pronto, os jogadores estão livres num mundo para criar suas próprias magias e itens mágicos e jogarem e moldarem o mundo a seu bel prazer, desvendando novas formas de usarem as regras criadas, utilizando os menores detalhes do sistema para criar efeitos mágicos dos mais interessantes, desbravando um mundo que necessariamente deverá ser perigoso, amplo e preferencialmente vivo. 

    Eu comentei mais de uma vez que era um projeto ambicioso e desnecessariamente difícil rsrs. E comentei também que quero fazer em partes, o Grimório é uma delas. 

    Tenho várias ideias de como seria a "roupagem", a história de como o jogador seria um aprendiz aprendendo como conjurar sua primeira magia, aprendendo as diferentes características de qualquer item que tenha no jogo e implementar ele em algo mágico, fazer uma poção, encantar um item. 

    Isso tudo faz parte da história que o jogo daria ao jogador e que pode mudar a vontade, a grande questão é o como. Como o jogo vai permitir que o jogador conjure? Como vai mostrar ao jogador as informações que ele precisa saber? 

    O Grimório do Kadin é o projeto responsável pela criação do sistema mágico, ele vai estabelecer regras que fazem sentido para a magia, não necessariamente vai estabelecer regras que possam ser programadas num jogo. 


        Papo mais técnico agora

     Tem que ser um jogo em Realidade Virtual. Os componentes verbais e somáticos do D&D, lembra deles? Então, um jogo flat screen típico não tem muito espaço para esse tipo de interação, eles teriam que ser feitos com intermediários (mouse, teclado, controles..), enquanto que na realidade virtual não só tem rastreamento dos gestos, como também não é tão estranho você falar com o jogo. Estabelecer a plataforma também define algumas pontas soltas que fui deixando.

    A próxima questão a abordar é a conjuração: Como seriam feitos os 5 passos da conjuração? A tecnologia não evoluiu a ponto de podermos simular uma sensação fictícia no corpo humano, então esquece sentir a Mana, teria que ser usando só os recursos que temos mesmo, que são os recursos áudio visuais do VR. Penso em uma forma de mudar o que é exibido para o jogador, tipo o sentido de bruxo do Witcher 3 (ligado por piscar os olhos num intervalo de tempo? Precisaria de rastreamento dos olhos que não é lá bem visto...), que passa a exibir Mana. Os segundo e terceiro passos são Manipular e Subjugar a Mana, e bom... Esse vídeo resume quase tudo

    Depois vem a Transformação, que penso em 3 coisas formas: O uso das runas, o jogador manipula a Mana para desenhar as runas e assim o efeito da magia acontece de acordo com as runas desenhadas; O uso da voz, o jogador usa uma interface para criar comandos de voz que executa magias que ele configurar lá; E por fim o uso dos botões mesmo dos controles de VR, ações rápidas mas que poderiam ser consideradas magias seriam feitas dessa maneira. Aqui penso que toda magia tem que começar com a criação dela através das runas, então o software é capaz de salvar o processo dessa magia e replicar sem que o jogador tenha que fazer tudo de novo, com o uso de um comando que pode ser a voz ou um botão. Ou seja, as 3 formas nada mais são do que a mesma só que uma é manual e as outras 2 são versões automatizadas.

    Por fim vem a Conjuração que está sempre vinculada a Transformação, já que nada mais é do que a repetição dos passos anteriores até que esteja pronto para liberar a magia. Como isso vai ser feito no processo de conjuração manual ainda não sei, mas até lá as runas desenhadas estão só esperando para acontecer. 


    Também toquei numa dinâmica que quero que o jogo tenha, que é o fato do jogador ter que fazer na mão pelo menos uma vez cada magia, e esse processo é salvo no sistema e pode ser reutilizado depois. Agora, não quero que sejam apenas processos inteiros que possam ser salvos, gostaria que tivessem esboços, pedaços que fazem pouco ou nada sozinhos e que podem ser utilizados para a criação de novos processos, novas magias. Em outras palavras uma magia complexa poderia ser criada usando apenas pedaços de magias menos complexas, vamos supor que o jogador salve todas as runas que conhece individualmente, depois usando esse sistema ele apenas conecta esses processos das runas salvas de uma maneira que cria uma outra magia, salva essa nova magia e conecta com outras e cria mais uma ainda mais complexa, e por aí vai.

     Com o seguinte detalhe: Isso não significa que na hora de conjurar essa magia complexa ela será feita instantaneamente, cada runa individualmente será executada no tempo que foi salva primeiro, não só o resultado é salvo, mas o tempo que o jogador levou para desenhar ela também é replicado. E se acabar tendo mais de uma runa sendo desenhada simultaneamente, aí podemos só limitar a quantidade ou afetar o tempo geral ou colocar qualquer outra mecânica menor que afete esse processo para manter limites, por exemplo o tempo máximo que o jogador tem para fazer uma runa ou manter uma magia sem conjurar enquanto prepara a próxima para construir algo mais complexo. 

    Isso tudo diminui um pouco a imersão, mas o ponto que quero que o jogo enfatize é a descoberta de novas magias e ver elas em ação depois, não quero que o jogador fique enfrentando problemas pra conjurar só por que não tem a destreza boa o suficiente ou memória para lembrar de todos os passos, ou mesmo tendo que desenhar as runas com a mão quando o ideal descrito no Grimório é controlar a Mana com a mente


        É jogável?

    Se eu resumir o que tem aqui e tentar fechar um joguinho de VR com isso até dá certo, cria uma ou algumas poucas magias só pra testar e tira todo o processo de criação e descoberta, faz um cenário simples e coloca o jogador no centro dele, não precisa nem dar movimento pra ele, e copia as formas que outras experiências de VR já fazem com manipulação de partículas e pintura 3D e quase lá, só coloca uma maneira de identificar a runa desenhada e a magia tá lançada. Ainda é pequeno demais para chamar de jogo com todas as letras, tá mais para uma experiência. Mas VR atualmente (final de 2022) ainda está emergente, tem muitas experiências pequenas assim sendo vendidas por algumas dezenas de dólares. 


    Existem algumas outras ideias que cheguei a ter mas essa era a principal, que mais queria externalizar aqui, e agora está feito. É isso, até a próxima o/

sábado, 5 de novembro de 2022

Páginas Perdidas do Grimório do Kadin

     Bom dia, boa tarde, boa noite. Cheguei pra mais um post, desta vez tão espaçado em tempo que dá até vergonha por que tempo eu tive. A boa notícia é que embora eu não dê a moral que o blog pede, o projeto mesmo está sempre vivo na minha mente, matutando ideias e soluções, estou sempre buscando inspirações de várias fontes, mesmo as não relacionadas com magia - principalmente as fontes não relacionadas com magia, diria que são as mais impactantes. 

    O problema da vez é a lore dos módulos da Transformação, as peças que serão passadas para o jogador tentar montar suas magias e com as informações que o jogo precisa para traduzir aquilo em uma magia de fato. 

    Adoro usar D&D como referência. 

    No Dungeons & Dragons, existem algumas características que devem estar presentes em todas as magias, que fazem parte da estrutura da magia, e que são necessárias pois afinal, D&D é um jogo cooperativo e precisa de algumas regras para funcionar. São essas características o Nível da Magia, o Tempo de Conjuração, o Alcance, a presença (ou falta) de Componentes (Verbais, Somáticos, Materiais), a Duração do efeito e por fim, os Alvos
    Eu pessoalmente gosto dessa visão pois, novamente, D&D é um jogo, e ele já trata de questões técnicas de uma magia. É necessário descrever em detalhes o que é necessário para conjurar, o que ou quem a magia afeta, qual a distância máxima que ela consegue ser efetiva ainda, por quanto tempo seu efeito consegue durar. 
    Ainda no D&D, ele faz questão de não descrever, ou de descrever apenas o mínimo possível, dos motivos, dos porquês, pois assim ele deixa aberto ao jogador fazer como quiser, colocar a roupagem, a skin que quiser, o que é exatamente o problema que quero resolver aqui, e isso me diz muita coisa. 
    Se o D&D que é o D&D fez como fez, por que eu faria diferente? Bom, por que eu quero ir além. A WotC tem mais o que se preocupar do que só a sessão de magias no Livro do Jogador. Eu não, estou completamente focado nessa sessão e dane-se o resto do mundo.

    Então prosseguindo, como crio minha skin para meus módulos?

    Vou continuar me apropriando de materiais criados por aí, sejam eles da fantasia ou não. 

    Relendo posts antigos eu fiz referência a Naruto e seus ninjutsus, e aqui os módulos para um ninjutsu é uma mistura das características do chakra do usuário, a manipulação do chakra e os selos com a(s) mão(s). Provavelmente tem mais coisa aí mas tanto faz, tá feita a roupagem pra um sistema de magia que tem até nome, Ninjustsu. 
    No universo de Harry Potter não explica muito bem essa roupagem, tem um fator genético, tem a varinha, tem palavras que precisam ser ditas, tem gestos que precisam ser feito. Na verdade não é um bom exemplo pra mim também pois faz eras desde que assisti pela última vez, mas estou citando pois vi que teve fanfic que tentou (e se páh conseguiu) fazer exatamente o que estou fazendo aqui (um sistema de magia) só que focado nesse universo, confesso que ainda não li, mas está lá, toda uma descrição dando sentido a como a magia do universo do Harry Potter funciona. 
    O jogo Magicka 2 possui 8 elementos (módulos) que podem ser usados sozinhos ou combinados seguindo algumas regras, e algumas formas diferentes de conjurar essas magias como só tacar, ter a si mesmo como alvo ou epicentro do efeito ou encantar a arma com aquele efeito para que ele aconteça em golpes. Existe todo um conjunto de regras tratando cada possível combinação e daí saem a maior parte das magias, pois ainda existem algumas magias que são aprendidas no decorrer do jogo que exigem uma combinação específica dos elementos e uma forma exclusiva de conjuração. A lore desses módulos da magia nesse jogo está em cima desses elementos, que são concedidos ao jogador um a um no começo do jogo e explicado o que são, como elemento da vida ou da necromancia que se anulam, elementos clássicos como água, fogo e terra, mas optaram por não colocar ar, e outros elementos que costumam aparecer quando percebe-se as limitações do sistema dos 4 elementos, como gelo ou relâmpago. Esses são os poderes dos magos lá (deixei uns 2 ou 3 de fora), e acabou a roupagem. Ou melhor, não precisa de dizer mais dessa roupagem pois são auto explicativos na maior parte das vezes, com a apresentação um a um, o que eles fazem. Parece limitado mas não é, é bastante intuitivo, pelo menos dentro do cenário desse jogo. 

    Mas no fim vou dizer que os módulos são runas, cada runa tem suas características, e se posicionadas de certa maneira conectam suas características em efeitos mais complexos, e por aí vai na criação da magia. Evoluo isso ainda mais adicionando os círculos mágicos, então tenho uma mistura de runas e geometria que são ambos esteticamente agradáveis e possíveis de construir num código de computador para que o jogador construa suas magias. Não é como se não houvesse outros métodos, mas é que esse parece um bom começo. 

    Runas e Círculos

    Começando com as Runas, existe uma questão cultural e estética aqui, a cultural é a relação com as runas nórdicas que são várias vezes relacionadas a magia da vida real, e isso causa a questão estética que faz as pessoas já estarem de certa forma acostumadas a verem essas runas pensarem que estão relacionadas a magia. E a questão estética nem precisa estar relacionada as runas nórdicas, vários símbolos trazem misticismo junto com eles, um Ankh, o Olho de Hórus, os vários símbolos do  horóscopo, sigilos então nem se fala, um gerador de sigilos é a automação da criação de símbolos aparentemente mágicos (aparentemente, por que enquanto for só o resultado do script é só um desenho aleatório, a magia de fato viria depois). 
    Existe todo um conceito por trás dessa estética fazer sentido que não pretendo me aprofundar aqui, mas quero dizer que a estética funciona, ela trás para quem vê a ideia de que aquilo está relacionado com magia. Bom, para o meu jogo eu não gostaria de usar nada que já exista de fato nesse ponto, vou usar a ideia, não o conteúdo. Mas eu vou me aprofundar na ideia, na lore, vou tentar criar um motivo para que os símbolos que criar para representar os módulos sejam como são e fazer as coisas com que tenham múltiplas camadas de sentido. No futuro, claro. Por hora, foco em fazer a mecânica funcionar. 
    Por falar em mecânica, os círculos mágicos estão amplamente conectados a magia arcana. Ainda mais, amplamente conectados a magia fantasiosa na cultura popular, apesar de ser mais uma apropriação da fantasia sobre a realidade. E mais uma vez traz consigo um pacote estético muito poderoso, muito presente, o que é bom pra mim: Se a própria imagem é tão atrelada a magia, mesmo uma explicação ruim sobre o por que ela é mágica é mais facilmente aceita! =p
    Falando mais um pouco da mecânica antes de voltar para a lore, tenho aqui então as runas representando os módulos e os círculos representando as conexões entre esses módulos? Ainda não, tenho que criar mais conexões com a Mana e com o desejo do personagem conjurador, e vou fazendo isso lado a lado com a lore


        Tá, mas e a lore

    Porquê uma Runa é mágica? Como ela está relacionada com a magia? Com a Mana? Como esse efeito acontece? Porquê "esse" efeito e não "outro"? Bom, vou ter que simplesmente criar uma resposta agora, sem mais raciocínio lógico em cima de pesquisas. É essa a hora de colocar a culpa em algum deus da magia? Yep.
    Recapitulando, estou trabalhando na criação de um sistema de magia, que com regras e lógica seja capaz de reproduzir quase todas as magias que vemos na fantasia, mas como isso é amplo demais eu decidi começar com a Mana, uma energia em específico amplamente conectada com magia (na fantasia, claro), da qual estou mais habituado eu mesmo. Lá atrás na página 7 eu criei um conjunto de regras e descrições para a Mana do mesmo jeito que estou fazendo neste texto agora, características que tenho que respeitar o máximo possível para continuar criando. E para conjurar usando Mana, disse que o conjurador precisa de Sentir, Manipular, Subjugar, Transformar e enfim Manifestar a Mana em Magia, sendo a transformação a etapa onde as runas e círculos se encaixam. 

    Ditas as regras, vamos criar os fatos:

  • Uma runa é um pedaço de texto ou de desenho (ou de pictograma, ou de ideograma, ou de qualquer representação visual bidimensional que seja esteticamente interessante) que guarda um significado em si, com a característica de interagir com a Mana de maneiras específicas para cada runa. Isso é um fato da natureza, assim como as coisas caem para baixo ou o fogo queima, a runa está entre aquelas poucas coisas que interagem naturalmente com a Mana. Porque disso? Insira qualquer história aqui. A resposta "fácil" é falar que um deus mudou a realidade para ser assim, mas podemos só dizer que sempre foi assim ou dizer são reminiscentes de uma civilização mágica antiga que foi capaz de alterar a realidade em que viviam mas assim como os atlantes, sumiram da existência. Na verdade deixar em aberto pode ser mais interessante do que definir uma resposta, então a resposta é que não há resposta para o por que das coisas serem assim, só são. 
  • Um conjunto de runas formam um Sistema Rúnico, que assim como as letras do alfabeto precisam estar seguidas umas das outras em um padrão para formarem palavras, as runas podem ser conectadas seguindo certos padrões para formarem novos efeitos ou efeito mais complexos.
  • Um círculo mágico é literalmente um desenho de círculo que serve para encapsular um sistema  rúnico, fechando as conexões das runas, ajudando a direcionar a Mana através dessas runas. As geometrias usadas em conjunto com um círculo também tem essa função de auxiliar a Mana através das runas e auxiliar o posicionamento das runas dentro do círculo, como um caderno de caligrafia ajuda uma pessoa a escrever as letras alinhadas e espaçadas corretamente. Essas geometrias, para quem ainda não visualizou, são as formas que se vê dentro dos círculos, como pentagramas ou hexágonos. 
  • Um círculo pode conter outros círculos dentro, o que significa que é um sistema dentro de outro sistema, e assim como a matemática resolve os parênteses primeiro, para calcular o resultado desses sistemas rúnicos deve-se resolver os círculos mais internos primeiro. 
  • Os efeitos que uma runa faz podem, teoricamente, serem reproduzidos pela mente do conjurador, desfazendo então a necessidade das runas. Porém, o conjurador precisa ter conhecimento para fazer com que isso se torne verdade, e enquanto as runas fazem o trabalho automaticamente, a mente do conjurador tem que processar cada efeito individualmente, fazendo com que magias complexas sejam demais para a mente de um conjurador.

    Esses fatos parecem bons. Dá pra criar um história bacana usando isso de base. E também obedecem ao que defini como requisito aqui e aqui. Tem um problema a resolver que já percebi que é: se as runas estão baseadas na Mana, quando elas transformam a Mana em outra coisa por causa da magia, como vai ficar essa interação da runa com essa outra coisa? É importante mas nada que mais umas regras arbitrárias não resolvam. E certamente tem outros problemas ainda viu.... Essa parte do círculo ainda está difícil, mas deboas também, por que se pensar, uma magia com efeito tão simples mal precisa de runa, uma magia um pouco mais complexa precisa de uma ou algumas runas, conforme vai deixando ela mais complexa cria-se um sistema rúnico, para só então chegarmos nos círculos mágicos que já são magias bem mais complexas, então eles serem complexos não me parece um problema tão grande assim. No mínimo não são problema pra agora hahahaha. (O Kadin do futuro que se vire)

    Agora vem o teste. Isso tudo está sendo desenvolvido ao longo dos anos, com longos intervalos e possivelmente algumas coisas que disse agora não bate com o que disse antes. Preciso fechar essas pontas, testar se o sistema está funcionando e então, finalmente, escrever a próxima página do grimório. Tô achando que esses últimos posts todos poderiam ter sido páginas já, só não fiz pois achei que precisava seguir o modelo de um pedaço de Lore e depois minhas observações do tema. Acabou não sendo, fazer o que. Pois é, achou que é fácil? Não é não rapaiz, tá foda bagarai. Mas aqui está meu "algo mais". Feito melhor que perfeito. 

domingo, 30 de janeiro de 2022

Vamos brincar de Lego

    Oi. Voltei. Quero desenvolver algo mais nesse projeto chamado Confluência dos Mundos. 

    Construir o Sistema de Magia inteiro de uma única vez é praticamente impossível. Construir o sistema em pedaços menores se mostrou tão ou mais difícil quanto imaginava. Então vou quebrar os pedaços menores em pedaços ainda menores! Não, na verdade não sei se isso está certo, mas dane-se. 

    Tive um insight, que foi bem útil creio eu, pensei em resolver o problema da Transformação com o uso de módulos. Pensa nas peças de Lego (se não sabe o que é isso vc não teve infância), o brinquedo já vem com várias peças conectáveis que sozinhas tem pouco ou nenhum formato interessante, mas conforme você monta essas peças de determinadas maneiras, algo que faça sentido e seja interessante surge. Minha ideia é aplicar isso na magia. Existem "blocos de montar" que fazem algo específico com a Mana mas que por si só não fazem muito sentido ou não são muito interessantes, mas ao agrupar eles de forma ordenada, a magia surge. 

    Bom, preciso mergulhar mais nessa ideia para ver se é viável ou não. E o que eu preciso analisar para definir a viabilidade da ideia? Quão controlável é, aplicabilidade em termos de lógica, adaptabilidade aos diferentes sistemas de magia que existem por aí, quais e quantos módulos existem... Então #partiu responder essas tretas todas. 

    

"Escolas da Magia" > Sistema da Magia com Mana > 4º passo, Transformação > "Módulos"

    Tá, deixa eu só explicar essa afirmação aqui e volto pro tema. Assim como Gildun disse, quando a gente conversa consigo mesmo não precisamos nos preocupar com a ordem das coisas. Mas aqui já não é mais só dentro a minha cabeça então vamos por ordem nas coisas. 
    A magia é ampla, ampla demais para que uma pessoa só seja competente em todas as áreas de conhecimento, ampla demais para que um único sistema de regras compreenda completamente cada forma de magia que já foi criada em alguma ficção (ou não, vai saber 8D) por aí. Cada uma dessas áreas de conhecimento eu aluguei dei o nome Escolas de Magia, mas sinceramente quero um nome melhor, que seja mais culto, que seja mais relacionado ao próprio conceito de "área de conhecimento", mas enfim, é que o temos pra hoje. Prosseguindo...
    Estou desenvolvendo um sistema de magia regrado focado no uso da energia Mana que já é uma separação arbitrária de minha parte pois é a que eu tenho maior familiaridade, esse sistema usa de 5 passos para que uma magia possa ser conjurada e o quarto passo é a Transformação, onde habita o problema que pretendo resolver até o fim desse post. Os "Módulos" são os blocos de montar que disse acima, partes pré-construídas que fazem pouco ou nada por si só mas que ao serem usadas em conjunto produzem efeitos mais complexos. 
    Voltando para o tema, esses módulos tem que ser capazes de se inserir no quarto passo da conjuração sem conflitar com os os 3 passos anteriores e o passo seguinte, e capazes de cobrir cada Escola de Magia sem perder o controle das coisas, controle demais e não conseguimos variedade, controle de menos e a variedade não importa. Esse controle seria efetuado com as seguintes ferramentas: 

Módulos multiníveis
    Voltando ao exemplo da magia de luz descrita muitos posts atrás, se aplicarmos o uso de módulos lá eu poderia dizer que feito os 3 passos anteriores, então aplica-se um módulo que transforma Mana (input) em Luz Branca (output) e que temos diferentes módulos para cada cor.
    Ou poderia dizer que um único módulo transforma Mana na luz que você falar para o módulo por pensamento ou qualquer outro meio (2 inputs).
    Ou poderia dizer que temos um módulo que acumula a Mana de forma preparatória para uso (como uma espécie de capacitor), então um módulo que permite o controle de quanta energia será puxada e enviada para o próximo módulo, então outro módulo que converte a Mana em Luz, aí passa por um módulo que serve de filtro de cor, enfim um módulo que expulsa essa energia de luz em forma de radiação uniforme multilateral. 
    Os primeiros exemplos criam cenários mais controláveis e mais fácil para o usuário, enquanto que o último permite que o usuário tenha liberdade criativa na magia podendo mudar a intensidade do brilho, a cor e até direcionar a luz da forma que quiser, mas é mais difícil de garantir que não tenha nenhum exploit fora que é mais difícil para o próprio usuário entender o que está acontecendo, afinal, para um iniciante se uma simples magia de luz já tem tudo isso de formas diferentes de coisas a entender então quão complexo seria uma magia para Voar? 
    Ainda assim, ter tanto os módulos que já fazem o processo inteiro quanto os módulos que fazem apenas parte do processo é a melhor solução. Cria ainda mais complexidade para o desenvolvimento, mas oferece ao conjurador o maior leque de possibilidades (sem que as coisas saiam de fato do controle) edit: mentira, as coisas tem maior chance de sair do controle assim, porém é uma questão de trabalhar as possibilidades, as combinações, para manter tudo dentro de um nível controlável. 

Características diferentes dos módulos
    Como deve ter dado para ver já no exemplo dos módulos multiníveis, os módulos tem características. Como regra geral (que talvez se torne uma regra rígida), todos módulos tem que ter pelo menos um input e pelo menos um output, todos eles pegam alguma coisa, fazem algo com aquilo então entregam o resultado disso. Entra Mana, sai luz. Entra luz branca, sai luz verde. Entra um fluxo instável de energia, e após um pequeno delay sai um fluxo estável em algum nível que faça sentido matematicamente. 
    Os módulos podem ter mais características, algumas presentes em todos os módulos como "eficiência de trabalho" em que uma parte da energia é perdida no processo, outros presentes em apenas alguns módulos específicos como um filtro de cor só ser possível se a energia for luz.
    Penso até em fazer com que os módulos possam ter suas características alteradas pelo conjurador, como por exemplo alguém especializado em magias de um elemento tendo melhor eficiência ao usar módulos relacionados e esse elemento, ou algo mais específico como uma bênção de um deus adicionando um módulo que causa dano divino à qualquer magia que você conjure ou a contraparte, um status negativo que altera o funcionamento de um conjunto de módulos em específico. Vai depender do tamanho da complexidade adicionada. 

Acesso aos módulos
    Os módulos não precisam estar todos disponíveis ao conjurador. Ou melhor, ir descobrindo (talvez construindo?) esses módulos faz parte da evolução tanto quanto a construção das magias. Como o acesso a novos módulos acontece não precisa ser discutido já, mas é importante definir que esse acesso vai acontecer de forma gradual e talvez até dizer que alguns módulos tem requisitos muito, mas muito rígidos para alcançar, como ser o GM do jogo por exemplo rsrs. 


Conjuntos de módulos
    Todos os módulos pertencem a um ou mais conjuntos, e funcionam dentro desses conjuntos. E quando digo conjunto quero dizer que todos os módulos que funcionam com Mana fazem parte de um conjunto; os que funcionam com a energia Luz fazem parte de outro conjunto; os módulos de que transformam uma energia em outra farão parte dos 2 conjuntos ao mesmo tempo ou talvez tenha separação quanto ao conjunto no lado do Input e do lado do Output; e posso até dizer que existem subconjuntos como módulos que tratam a forma de propagação da luz pertencendo ao conjunto da luz. A definição desses conjuntos provavelmente será completamente arbitrária, mas o mais importante aqui é que os módulos serão criados para funcionar apenas com o restante do conjunto, será impossível conectar módulos de conjuntos diferentes sem algo que faça essa ponte. Isso serve para conseguir separar as Escolas de Magia mas sem cortar completamente os laços, já que conhecendo os módulos que façam a ponte será possível unir duas escolas numa magia só. Também é possível que seja criada toda uma nova Escola na área intermediária, quem sabe. 

    Algumas outras dúvidas e possíveis respostas:

  •     Existe um limite de módulos usados durante a transformação? 
    Não! Mas uma limitação frouxa, indireta, tipo construir um módulo leva um tempo e manter os módulos energizados consome mana (ou estamina?) pode ser bom.
  •     O que fazer quando uma magia simples gerar um efeito desequilibrado?
    Bom, estou respondendo agora mas acho que terei que rever as respostas depois. Primeiro seria ver se é realmente desequilibrado. Tipo, e se todos começarem a fazer isso? Uma alavanca permite a aplicação de uma força sobre-humana, mas tudo que é necessário é um pouco de conhecimento e algumas ferramentas extremamente simples. O uso inteligente da magia é tão ou mais importante que uma abordagem de força bruta, nem sempre uma magia simples superando uma magia complicada é uma quebra das regras. Mas caso seja, então aí é hora de rever as regras, nesse caso espero que todas essas características que adicionei aos módulos permitam controle suficiente, mas sem um caso para estudo fica difícil saber o que estaria faltando. Imagino que o momento certo seja quando a experiência do(s) jogador(es) é afetada negativamente, como a magia de voo que simplesmente quebra a maior parte dos desafios num RPG.
  •     Espera-se que uma magia complexa tenha muitos módulos, e um conjurador refazer todas eles todas as vezes até que faz sentido. Mas num jogo isso não seria divertido, o que fazer?
    Eu penso em blueprints, você faz a magia uma vez e salva ela. Depois basta mandar o jogo replicar aquilo. Talvez fique apelão demais, mas aí quando chegar nessa situação eu penso em como melhorar.

    Respondendo as perguntas do início, então é até que controlável que os efeitos estarão definidos previamente, mas terá uma complexidade de interações grande e sempre aumentando, mas devido aos conjuntos ainda existirá um controle para a escalabilidade também. É aplicável, criar um a um é difícil mas não impossível. é adaptável, podemos criar conjuntos para cada escola de magia por aí, apesar de eu ter fechado isso no sistema de magia que usa Mana como base pode ser que eu não precise me fechar nisso mais no futuro. Exatamente quais e quantos teremos? O número que for necessário para alcançar a variedade de magias que temos por aí, que provavelmente será bem alto. A ideia é ir criando pouco a pouco, conjunto a conjunto, e ver no que dá.
    Acho que resolve o problema da Transformação, vou estudar práticas depois. 


Tá, mas e a Lore?

    Afinal, como que fica a lore dessa bagaça toda? Como explicar dentro da história mesmo porque é assim? O que é um "módulo"? Fica pro próximo capítulo. Vou ter que reler o que já escrevi nas páginas do Grimório do Kadin e talvez reescrever algumas coisas até. Aí escrevo a resposta na página 9 que está enrolando para sair com estudos práticos dessa solução. 

terça-feira, 12 de outubro de 2021

O problema da Transformação

    Viver não é fácil não. Morar numa cidade pequena que parece fazer questão de ficar travada no tempo não ajuda. Trabalhar do amanhecer até o anoitecer quase todos os dias e ainda tentar tocar projetos paralelos no tempo livre consome a pessoa. Eu acho. Por que comigo foi mais pra ficar jogando alguma coisa no tempo livre mesmo. Monster Hunter World é muito bom! Mas enfim, eu não vim aqui para ficar falando das procrastinações dos problemas da vida, eu vim tentar construir mais uma peça neste projeto que é o blog Confluência dos Mundos. 

    Outro dia, estava lá eu entediado e fui jogar Factorio. Dei load num save que já vinha jogando, e me deparei com mais de 10 minutos "perdidos" apenas olhando para aquilo tudo que eu tinha feito. Uma megafábrica lançando foguetes pro espaço sem parar. Eu estava olhando e relembrando como as coisas eram antes, num save novo você começa com uma mochila e uma picareta e nada mais. Ficou aquele sentimento de "cada pouquinho de tempo que fui jogando ao longo dos dias eu fui criando algo mais" e depois de várias dezenas de horas de jogo esse amontoado de "algo mais" ficou tão grande e complexo que é difícil e também bastante satisfatório você olhar e falar: "Eu fiz isso."

    Este blog foi criado em 2019, apesar de não poder comparar realidade com jogos já que eles são feitos para desafiar na medida certa e dar uma sensação de evolução com certa constância, eu percebo que ainda assim eu deveria estar fazendo mais por aqui. Eu deveria vir aqui e dedicar um pouquinho do meu tempo e tentar construir "algo mais". Então vamos tentar esse formato.


Eu ainda não passei do problema da Transformação. 

    Em meu post anterior eu mostrei diferentes abordagens para esse problema. Afirmei que a Mana pode se transformar em qualquer coisa que o conjurador deseje, desde que o conjurador tenha o conhecimento daquilo para passar para a Mana. Também disse que isso por si só é perigoso para a saúde do sistema então é necessária a aplicação de um intermédio que permita um controle de como isso vai funcionar. Adicionei também uma regra que a Transformação da Mana não é necessariamente absoluta, é apenas a Mana se comportando como o algo transformado e não o algo propriamente dito, mas não disse o que é necessário para que a transformação então se torne perfeita. Conclui, pelo menos parcialmente, que precisaria criar "Conceitos" para regrar a Transformação, e agora adiciono nessa explicação que estes "Conceitos" precisariam ser Definíveis, Quantificáveis, Exatos, não necessariamente booleanos mas ainda assim precisariam de características que os façam poder ser diferenciáveis na programação, para que um computador saiba dizer o que é um e o que é outro.

    Durante o tempo entre o post anterior e este, eu estive desenvolvendo mais deste papo mágico. Um pouco no caderno, um pouco na Unity, outro pouco em tabelas de excel e modelos no Yed, e mais um pouco na própria cabeça, jogando coisas relacionadas a magia e a criação dela, lendo coisas relacionadas a magia (destaco aqui que vi ambos, a magia fantasiosa e também a magia do mundo real, que não é o que eu quero pra confluência mas toda essa fantasia veio de algum lugar!). E não encontrei uma boa resposta ainda. Vi várias fontes que pareceram tão inspiradas na magia quanto eu, mas que no fim das contas a criação deles não trilhou o mesmo caminho que eu trilho. A parte do "sistema de magia" é pulada ou explicada em pedaços pequenos, insuficientes para mim. Eu não quero acreditar que estou sozinho nessa, se tiver alguém por aí lendo isso daqui e que seja doido o suficiente de querer discutir sobre como os magos nos rpgs podem conjurar magias, me chame! 

    Enfim, voltando para o assunto, eu não consegui construir uma resposta para essa questão da Transformação ainda, a internet também não me deu essa resposta ainda, está na hora de mudar de abordagem. Mal Feito melhor do que Não Feito (e a frase tá só piorando kkk). 

domingo, 28 de março de 2021

Entre Liberdade e Controle...

    Prezo pela liberdade. Acredito que todos que tem vontade própria, todos que tem consciência, deveriam estar livres para tomar suas próprias decisões, conseguir controlar o próprio destino, ser capazes de mudar as condições nas quais nasceu. 
    Eu me sinto como alguém que sempre andou à margem, nunca contente em trilhar por caminhos já trilhados, não como um completo desbravador do desconhecido, mas um explorador de novos pensamentos. Tenho certa aversão a ideia estar acorrentado, preso num destino que me foi decidido não por mim, corro sempre que vejo formas de amarras. Figurativamente falando, claro. Agradeço que minha vida me permitiu certa liberdade de ação, e hoje posso buscar meus sonhos sem que isso atrapalhe meu futuro. 
    Mas a liberdade total e desenfreada também é um problema. A sociedade só pode existir se restringirmos a nós mesmos até certo nível que seja adequado. Se permitir fazer qualquer coisa só por que pode fazer aquilo pode te levar a privar outros de suas liberdades, não seria isso errado então? 

    Saindo da Filosofia e chegando na Confluência, abordo esse tema na magia. Prometi pelo menos 1 post por mês, uma forma de me manter ativo por aqui e que vem dando certo, mas esse mês vou "falhar". Não por falta de tentativa nem por falta de posts, mas está de fato complexo trabalhar o assunto do próximo post, o 4º Passo da Conjuração no Grimório do Kadin. E o motivo é justamente esse, preciso encontrar o equilíbrio entre Liberdade e Controle que faça a Transformação ficar a níveis ideais, nem tão capaz que qualquer um possa fazer mesmo as magias mais mirabolantes nem tão limitado que só os mais competentes fazem algo de respeito. 
    Tentei correr com construir esse conteúdo no último fim de semana do mês, mas no meio do caminho percebi que é errado. Primeiro, quero que seja algo bem feito. A Transformação é talvez o passo mais importante da conjuração, não posso fazer correndo e deixar problemas pro futuro. Segundo, o que fiz foi prometer posts, não construir tudo até o fim do mês. Minha "meta" mensal é pelo menos evoluir aquilo que já construí a fim de chegar mais perto da conclusão, não é como se não pudesse entregar algo que ainda está no meio do caminho. De fato, está lá no subtítulo do blog: quero deixar aqui o Desenvolvimento, a parte entre o começo e o final

    Então seguem aqui meus pensamentos até o momento...


A Construção da Transformação

    A Transformação, o 4º passo da conjuração, é a capacidade de manipular não a forma ou a posição da Mana, mas sim sua própria composição. Da mesma maneira que a Mana obedece quando o conjurador ordena ela para ir para tal posição, a Mana obedece quando o conjurador ordena que ela se torne tal coisa. Essa coisa depende somente do conhecimento transposto do conjurador. As implicações dessa afirmação são perigosas para a estabilidade do sistema. Isso por que as coisas mais básicas da realidade são também as mais fundamentais, e se alteradas fazem todo tipo de estrago, e ao mesmo tempo quanto mais simples for alguma coisa, mas fácil é alterar a Mana para ser aquilo. Não pode ser simples assim, tem que ter alguma lógica, algum intermédio que faça o trabalho de forma controlada. 

    Minha primeira conclusão que acredito ser importante demais para deixar de fora é que a Transformação não é absoluta na maior parte das vezes. Ela é parcial, como uma versão falsa, incompleta daquilo que deveria ser. Uma pseudo-transformação. Tem pontos positivos e negativos, é bom por que a parte que ainda é Mana ainda pode estar sob seu domínio permitindo que você controle, também é absurdo de bom pois se bem feito você pode pegar apenas as partes que te interessam e transpor isso para a Mana, deixando as partes ruins de fora por exemplo, mas pode ser ruim no aspecto que não é perfeitamente real, a parte Mana daquilo vai fazer com que o todo eventualmente se desfaça em Mana de volta, a matéria não vai ser tão resistente, não vai ter tanta massa, a chama não será tão quente ou capaz de se espalhar como um fogo de verdade, a luz precisa de mais energia para iluminar o mesmo tanto, um veneno irá eventualmente se desmanchar e deixar de funcionar sozinho... É um conceito interessante que quero ver se consigo aplicar no sistema de fato, mas ainda não responde como as coisas vão funcionar. Ainda preciso de um intermédio na Transformação.

    Tem as "escolas de magia" clássicas do D&D: Evocação, Conjuração, Ilusão, Transmutação, Abjuração , etc... Elas abordam conceitos bem interessantes, mas será que englobam cada aspecto da magia como eu quero que façam? Sinceramente, acredito que não, mas ainda assim vou estudar o caso. Escrevo hoje em época de spoilers da coleção Strixhaven do MTG, a coincidência foi... interessante. Magic The Gathering separou as "mágicas" em 5 cores, cada cor engloba todo um conceito e hoje são tão complexos que parecem ter personalidades. Não dá para imitar o MTG aqui, mas dá para seguir seu exemplo: Criar conceitos que englobam cada aspecto da magia para fazer a Transformação ter regras completas e equilibráveis? Mais fácil falar do que fazer, mas a direção parece ser é essa mesmo, Conceitos. 

    Nesse ponto lembro dos 4 elementos: Fogo, Água, Terra e Ar. Sempre gostei deles por sua simplicidade, mas não é um intermédio adequado ao meu sistema. Eles são limitados demais: Eletricidade é um derivado do Ar ou do Fogo? De ambos? Não teriam Elementos mais versáteis que os outros? E os conceitos mais avançados, como Gravidade? Tempo/Espaço? Cura é derivada da Água então? Como funcionaria a Invocação? Qual o elemento dos clássicos Mísseis Mágicos? E a necromancia? Teria então novos "elementos" para adequar esses conceitos, como Luz e Trevas? Sub-Elementos? Quantas coisas teriam que ser criadas para esse sistema fazer sentido? Não faria a simplicidade desse sistema causar mais complexidade no futuro que um sistema mais complexo desde o começo? Nesse caso, qual outro sistema poderia usar?

    Lembrei outra coisa que tinha vontade de fazer, tinha como plano de ação não desenvolver a Confluência inteira logo de cara, e sim ir construindo aos poucos através de projetos pequenos e gerenciáveis. Lembra do Alchemist's Shop? Do Kingdom Inc.? Tive um outro que nem saiu do papel (de propósito) que tenho vergonha de dizer que nomeei como Way of the Magic. Todos estes são projetos que surgiram da vontade de começar, de dar o primeiro passo, de construir uma base que darão aos outros projetos que virão a confiança de arriscar algo mais, algo maior, e assim ir crescendo. Bom, admito que não vem dando certo, fui atrás de ver se tinha link aqui no blog pra direcionar quando escrevi o Alchemist's Shop, e fui descobrir que além de não ter link, ele estava listado como "Em Desenvolvimento". Já faz tanto tempo que nem olho pra esse projeto que nem lembro direito onde estão os arquivos dele... E prometi um post dele hein!?

    Enfim, por mais que estes projetos não estão mais vivos agora, eles se encaixam bem nessa ideia de intermédio da Transformação. Permita-me explicar: Alchemist's Shop aborda especificamente a parte da magia que tira proveito das propriedades dos materiais e suas reações com as energias mágicas. Way of the Magic aborda especificamente a conjuração da magia, coisa que venho fazendo no grimório mas de forma não específica. Quando pensava nestes jogos refleti sobre outras características que gosto na magia, os Rituais e os Encantamentos, outros 2 aspectos específicos da magia, um que aborda magias grandes, complexas e demoradas e outro que aborda dar propriedades mágicas e a habilidade de conjurar magias a objetos. Será que posso então dividir a Transformação através dos usos da magia, ir construindo um a um sempre mantendo em mente a compatibilidade das partes entre si, e eventualmente a Transformação está completa? É trabalhoso. É viável? E principalmente, é correto?

    Criar conceitos que englobam cada aspecto da magia para fazer a Transformação ter regras completas e equilibráveis, copiei e colei de lá de cima pois é como parece ser o mais correto no fim das contas. Transformar Mana em outra energia como Luz ou "Fogo" (calor) parece tranquilo, mas e quanto a Materialização das coisas? Invocação de criaturas? Sob quais leis a Alquimia é possível? E os Encantamentos? Poarr, Divinação, como faço ela ser possível de um ponto de vista lógico? Voodoo, bruxaria, maldições? Necromancia e não-vida? Como funciona a Cura? Sanguinomancia? Xamanismo? Magia divina? Esqueci alguma? Aposto que sim, mas quantas? Devo lembrar aqui que a Mana é a energia mais versátil e capaz de conjurar a maior variedade de magias, maaaaaaas não precisa ser capaz de conjurar TODAS as magias. Na verdade, de fato algumas dessas formas de magia que descrevi aqui se devem justamente pelo uso de energias específicas ou até mesmo a chave não está na energia e sim em alguma outra coisa. Então, quais, especificamente, a Mana é capaz de conjurar e como explicar a Transformação delas? 


    Então é isso, ainda tenho estudo a fazer antes de decidir como vai funcionar essa parte, Feito melhor que Perfeito, mas não significa Mal Feito!

domingo, 28 de fevereiro de 2021

O Grimório do Kadin, pág 8

A Arte, Pt2

    Mas se precisamos de meros movimentos casuais para conjurar magia, por que os afazeres do dia a dia não conjuram? Se palavras são necessárias para conjurar, como alguém pode dizê-las normalmente? Se runas podem ter efeitos mágicos, como escrever um livro de runas sem que ele se exploda? É importante estar atento aos detalhes, cada ação pode ser mundana ou mágica, dependendo meramente de quem a executa. Chamam isso de Afinidade, característica que define quão fácil é para o conjurador ter seu desejo interpretado pela Mana. E essa "afinidade" muda não só de pessoa para pessoa, muda também conforme seu domínio da Mana, e muda de tempos em tempos de formas um tanto difíceis de compreender. Os mais religiosos chamam simplesmente de "amados pela Mana" ou algo assim. Eu discordo: a Mana é inconsequente, e aqueles "amados pela Mana" devem tomar cuidado com mesmo seus pensamentos mais inconscientes ou essa bênção se torna uma maldição.
    Já aqueles "não amados", a grande maioria de nós diga-se de passagem, devem se esforçar para ter seus desejos interpretados. A mente limpa e clara não é algo fácil de alcançar, num momento de urgência é menos ainda, e uma magia complexa eleva o grau de dificuldade a níveis impensáveis. Para ajudar a manter o foco durante a conjuração assim como ajudar a ter seu desejo interpretado corretamente pela Mana, nós usamos de nosso próprio meio de comunicação, a fala.
    Damos nomes as coisas, e com isso sabemos claramente o que os nomes representam. Por isso foi criada a linguagem Arcana, uma linguagem com o menor nível possível de ambiguidades, mas exatamente por isso o maior números de palavras. Mas não importa que língua use, desde que clareie sua mente e transmita seu desejo, alcançou seu objetivo. Similarmente são os movimentos, diminui a carga mental se movimentarmos a mana com nosso corpo. Um pouco de treinamento pode ser necessário, porém. As runas são mais difíceis de entender, não é como se um símbolo pudesse desejar alguma coisa, afinal seu sentido depende de quem escreve, mas o efeito acontece para quem vê. Os materiais por outro lado são os mais versáteis e interessantes: servem como catalisadores pro efeito, ou até modificam eles. Extremamente úteis para as magias complexas, eles podem oferecer o conhecimento que não temos, e durante a interação da magia com estes materiais os efeitos podem ser alterados dramaticamente.
    Como pode ver, no fim tudo se resume à capacidade do conjurador de transferir sua vontade para a Mana. Aqueles que estudam a natureza e buscam entender os fenômenos mais estranhos da magia, conhecidos como Magos, usam esse conhecimento para criar magia. Aqueles que conseguem conjurar devido a alguma ascendência, como os Feiticeiros ou seres como os dragões ou fadas, aproveitam de uma afinidade natural com determinados elementos e um conhecimento cultural de determinados conceitos. Aqueles que receberam o poder de conjurar de outros seres, como Clérigos ou Bruxos, usam uma espécie de canal com este ser como catalisador ou como fonte do desejo que será passado para a Mana. Os Bardos conseguem conjurar pois conseguem transferir não só conhecimentos para a Mana, mas conceitos inteiros através de sua arte. Damos nomes às coisas, mas cada uma dessas "profissões" nada mais são do que pessoas diferentes que encontraram formas diferentes de "conversar" com a Mana. Poderíamos continuar indefinidamente nomeando cada "profissão", como os Xamãs que parecem ser uma mistura de Feiticeiro e Bruxo ou os Teurgistas que são uma espécie de Magos Divinos. Seu caminho é você quem faz.
    Seu caminho é você quem faz. Cada um tem sua própria forma de se fazer ser entendido pela Mana. Você pode até ter sucesso em copiar como os outros fazem para conjurar, mas só você sabe como é a melhor forma de organizar seus pensamentos para passar sua vontade, só você sabe como movimentar seu corpo, como controlar sua Mana. Inspire-se no sucesso e no fracasso dos outros, mas trilhe seu próprio caminho.


Tá parecendo livro de autoajuda.  =p

    Bom, preciso continuar desenvolvendo como acontece a Manifestação, quero me focar num sistema em específico mas sempre que tento acabo voltando pros termos gerais. Sempre me foi mais fácil enxergar o geral mesmo, não é novidade. Muita coisa foi definida nestes 2 últimos posts, percebi que era importante analisar e preencher algumas lacunas. Nisso acabei criando mais, essa tal de Afinidade nunca me passou pela tão claramente, embora definitivamente o conceito esteve desde o começo em um canto ou outro dos pensamentos. E mais, tem desculpa melhor para explicar as inconstâncias da magia do que essa? 

    Não gosto da ideia de que a habilidade de alguém, o destino de alguém, seja decidido no momento que esse alguém nasce. Mas ao mesmo tempo, eu disse antes: a vida é injusta. Pessoas nascem diferentes, na Confluência essa diferença passa a ser ainda maior o se considerar que não tem só humanos entre as criaturas inteligentes. E Afinidade pode ser exatamente essa característica que define a diferença entre 2 conjuradores, que tiveram pontos de partidas semelhantes, tempo de estudo semelhantes, acesso aos mesmos conhecimentos... Não só isso, nada impede que ela seja alterada com o decorrer do tempo através de vários fatores, treinamento extensivo, poções exuberantes, bênçãos divinas... Poxa, até mesmo o estado emocional pode alterar a Afinidade e fazer com que uma magia se torne mais poderosa num momento crítico! (clássico aumento de poder repentino quando fica puto). 

    Também nunca cheguei a falar da linguagem Arcana, e ela de repente apareceu. Em termos de história isso seria conhecimento comum, uma linguagem mística usada pelos conjuradores, e que nem eles mesmos sabem a língua corretamente. Em temos de desenvolvimento do sistema de magia ela é uma consequência, nascida da necessidade de trazer de volta o misticismo da magia. Já tem bastante tempo que estou criando um sistema para conjuração de magia que faça sentido, e a ideia de que a Mana parece ter uma espécie de consciência parcial sempre rodou minha mente, assim como a ideia de que a conjuração depende da Mana entender o que é para acontecer antes de.. bem, acontecer. Já venho desenvolvendo as páginas anteriores tomando isso como linha de base, não quero ter que explicar cada lei, e sim criar apenas uma lei que rege geral o comportamento da Mana e tratar as exceções depois. 

    Enquanto criava acabei dando uma variada na linha de pensamento que decidi por deixar ali, primeiro por que ficou legal, segundo por que ainda tem contexto. Digo à respeito das classes conjuradoras, uma passagem superficial sobre a diferença fundamental das classes. Aqui digo classes conjuradoras pois é como as diversas histórias e jogos os tratam, mas quero remover as correntes que limitam um conjurador, devido aos jogos essa classificação acabou ficando invertida, a classe definindo a magia. Está errado, as pessoas que especializam em algum tipo de magia que receberam nomes, o certo é as magias que alguém conjura que define sua classe, e se não tiver uma classe que engloba as magias escolhidas não é problema, afinal o importante são as magias e não nossas formas de classificar as coisas. 

    Este tema está se provando mais complexo que imaginei inicialmente, e já esperava que fosse ser complexo. Definir como acontece a Manifestação da Magia sem descartar tanta coisa deixa meu trabalho mais difícil, mas ao mesmo tempo o resultado disso vai ser muito mais satisfatório, não estou com pressa pra terminar, quero fazer bem feito. E os próximos passos já foram definidos: detalhar mais sobre as regras da Transformação e da Manifestação, só quando eu conseguir conjurar uma magia mais complexa que Luz que eu vou feliz. =D

sábado, 30 de janeiro de 2021

O Grimório do Kadin, pág 7

A Arte, Pt1 

    Há muitas energias por aí que podem ser utilizadas para conjurar magias, e há muitos mundos por aí que desenvolveram suas próprias formas de usar estas energias. Conforme as gerações passaram, os conjuradores foram evoluindo suas formas de conjurar e independente dos objetivos deles objetivos a magia evoluiu. Mas em cada lugar, em cada aldeia, cada civilização, a magia evoluiu de sua própria maneira. Há até aqueles que se ofendem se chamarmos o uso dessas energias de Magia ou o usuário de Conjurador, de tão diferentes os caminhos tomados pelas pessoas, e tão diferentes as próprias energias podem ser umas das outras. Este grimório é uma herança de um praticante da Arte, uma forma ancestral de moldar a Mana ao desejo do conjurador, tão ancestral que o tempo não sabe medir, e tão ramificada que gerações de historiadores não conseguiriam explicar suas origens. Nós damos nomes as magias que criamos, esta que recomendei como primeira magia tem o nome Luz, um nome prático para uma magia prática. Também categorizamos estas magias de acordo com sua complexidade, esta é talvez a mais simples das magias do primeiro Círculo.
    Para conjurar Luz, você teve que passar para a Mana seu desejo, explicar para ela o que é o efeito, como é o efeito, enquanto limpa sua mente de outros pensamentos que poderiam também ser interpretados pela Mana e atrapalhado sua conjuração. A Mana que está sob seu domínio tem um potencial de transformação inimaginável, mas depende de você dizer pra ela o que ela vai ser. É aqui que entra a diferença entre a magia Luz e as outras magias mais complexas, você consegue ter uma visão clara de como é a composição de um portal dimensional? Mesmo se soubesse cada detalhe de como funciona um, até terminar de passar esse conhecimento para a Mana sua mente já se esqueceu das partes anteriores. A Mana não tem memória, não vai aprender mesmo se você explicar os fatos mais simples, ela apenas te ouve. Você teria que passar todo o conhecimento de uma vez.
    Para acompanhar a complexidade exigida pelas magias, criamos formas de ordenar nossas vontades para a Mana, para que a magia seja executada passo a passo. Podem ser palavras, runas, movimentos, sinais, materiais, sons... Qualquer coisa que faça com que sua vontade possa ser interpretada pela Mana é uma ferramenta de conjuração. Aprenda essas ferramentas e como usá-las, e estará conosco entre os praticantes Da Arte.

    Antes cheguei a comentar sobre a diferença entre magia e tecnologia, disse que cada magia é única, uma obra de arte. Nada mais justo do que chamar o conjurador de Artista, e a conjuração de Arte! Mas sinceramente, prefiro conjurador mesmo >.<”
    No post anterior eu comentei sobre o problema da conjuração baseada simplesmente no pensamento, você deseja e acontece. Inicialmente eu pensei em o que mudar para corrigir isso, mas então descobri que o que falta é mais explicação. Tenho que dar mais atenção ao 4º e 5º passo da conjuração, a Transformação e a Manifestação. Tenho que criar uma forma que permita tudo que disse querer permitir em regras simples.


    Então, como diria nosso amigo Jack, o Estripador...

Vamos por partes 

 
Quais são os fatos que devem estar alinhados com o sistema de conjuração?
  • Primeiramente, estamos falando de Conjurar usando Mana com seus 5 passos: Sentir, Manipular, Subjugar, Transformar e Manifestar.
  • Segundamente, eu não quero somente 1 sistema, eu quero que seja possível a criação de outros sistemas também, e amplio isso para as outras energias além da Mana, e qualquer combinação entre elas.
  • De um ponto de vista de 1º pessoa, existem 3 tipos de Mana: a que está sob seu domínio, a que está sob domínio de outro, e a que está fluindo na natureza.
  • A Manifestação deve ser capaz de trabalhar com todo tipo de energia que a Mana pode se transformar (o 4º passo vem antes do 5º!).
  • Também tem as minhas próprias opiniões e vontades alinhando o destino do sistema. Um dos motivos de estar tão aberto às possibilidades é que gostaria de um dia ter outros arcanos colocando suas vontades na magia, mas o que tenho hoje é o que tem pra hoje.

    
Eu gosto da divisão da magia em "Círculos" (níveis, camadas, tiers, e por aí vai), só nunca sequer comentei sobre isso antes pois gostar é uma coisa, explicar é outra. Nas histórias, os círculos da magia com classificações que separam tanto as magias quanto os próprios conjuradores por habilidade, efeito, dificuldade, ou o que for que o autor considerar. Mas aqui, os Círculos se encaixaram tão bem que mal preciso de explicar! Importante deixar claro que, para mim, é a dificuldade quem define em qual círculo uma magia estaria. Conseguir organizar as magias em níveis de dificuldade ajuda bastante o conjurador a se decidir se vai ou não tentar aprender uma magia. Acho que comecei a derivar um pouco do assunto... 

Um Pouco de Falta de Física...

    Para que eu possa continuar definindo como funciona A Arte, preciso definir melhor como a Mana se comporta, por que ela faz o que faz e por que ela não faz o que não faz. Não posso mais continuar com metáforas e comparações, coisas precisam ser definidas. Então explicando os comportamentos da Mana:

  • Ela se comporta como uma energia que não depende de matéria, e parece não interagir com nada, apenas passa através das coisas como se não estivessem lá. 
    Esse comportamento por si só já é resultado de múltiplas leis agindo em conjunto. Vou aqui dizer que de certa forma a Mana é como a luz, uma partícula, uma energia, e uma onda ao mesmo tempo. Mas de certa forma é como a matéria escura do vácuo do universo, que quase não interage com as outras coisas. Bom, na verdade a Mana interage sim com muita coisa, é só que os efeitos são difíceis de perceber, então parece que não interage.
    Já as coisas com as quais a Mana interage são por causa de alguma característica que possuem, que diretamente ou indiretamente interage com alguma característica que a Mana possui. Gosto de pensar nos famosos Cristais de Mana que tem em quase toda história envolovendo magia, minerais que crescem em locais com alta densidade de Mana, com a parte de matéria da Mana ficando presa lá no meio, um mero exemplo superficial pra explicar meu ponto.
    Outro exemplo seriam os próprios conjuradores, que por qualquer motivo que seja conseguem sentir e interagir com a Mana. E este motivo pode ser que, igual a audição ou a visão, temos a capacidade de sentir diferentes diversas frequências das energias místicas, mas esse sentido está qualquer coisa entre dormente, mal nutrido, danificado, mal desenvolvido, qualquer combinação destes ou ainda outros não descritos.
    É apenas lógico que um aprendiz em seu primeiro estágio, ainda aprendendo a sentir a Mana, tenha mais chance de sucesso quando em contato com quantidades maiores dessa energia. Sabe o peso que a água tem quando mergulha? Agora tenta mergulhar vários quilômetros mar abaixo pra ver se água não pesa.

  • Ela se comporta como uma pessoa preguiçosa que quer algo e não faz nada para conseguir este algo.    
    O que significa que a Mana tem um potencial latente mas é incapaz de alcançar isso sozinha. E sendo incapaz de interagir com muitas coisas ela se mantém nesse estado potencial indefinidamente, até que finalmente entre em contato com algo que consegue ter interação.
    Esse novo sentido pode então ser tanto passivo quanto ativo. Assim como o tato, percebemos apenas aquilo em que estamos encostados, mas podemos nós mesmo encostar nas coisas para usar o tato. Uma vez que a Mana é uma energia, nós não movemos ela como movemos a matéria, então esse sentido poderia, digamos, colocar um foco que atrai a Mana, ou um oposto de foco que expulsa ela.

  • Existem 3 tipos de Mana: a que está sob seu domínio, a que está sob domínio de outro, e a que está fluindo na natureza
    Se a Mana funciona como se fosse uma onda, então posso dizer que como as outras ondas ela tem frequência, amplitude, comprimento mas principalmente, pode entrar em Ressonância. Como se cada pessoa tivesse sua própria assinatura em forma de uma ou mais frequências de Mana, e ao fazer com que a Mana entre nessa mesma frequência ela se sincroniza melhor com você. Como cada pessoa tem sua assinatura, é muito mais difícil você interagir com as energias dos outros, a não ser que você quebre essa sincronia e faça com que a Mana volte ao seu estado desordenado natural.


  • Um conjurador pode treinar o próprio corpo para absorver Mana que estará sempre sob domínio dele
    Assim como meramente sentir a Mana precisa de treinamento, o corpo também precisa. No caso do corpo é por que, primeiramente, ele não está "sintonizado". Cada célula é única, e por isso variações na frequência natural acontecem (pff, sorria e acene xD). Você sincroniza seu corpo de volta usando a Mana, e sincroniza a Mana usando o corpo. É mais fácil para as coisas irem para seu estado natural do que o oposto, portanto pouco a pouco ambos vão harmonizando até que estejam sintonizados com sua própria frequência de assinatura. Ambos voltam ao seu estado natural quando o processo acaba, a Mana volta pro ambiente em sua entropia de frequências, enquanto o corpo continua na mesma frequência pois é assim que deveria ser desde o começo. Sem treinamento ele pode voltar a ficar desordenado também, mas aí é outro assunto. Uma vez que seu corpo está "sintonizado", parte da Mana do ambiente, que por coincidência está na mesma frequência, é simplesmente atraída, como se você estivesse se focando no controle (2º passo), mas agora sem a necessidade de fazer isso ativamente. Ainda nesse assunto, o uso e abuso do corpo no domínio causa exaustão como qualquer exercício físico, o uso e abuso do domínio ativo causa exaustão mental como qualquer outro exercício mental, e o uso de qualquer energia que não esteja corretamente sincronizada pode causar danos quando movimentado através do corpo, o abuso pode ser fatal.

  • A Mana pode ser transformada em várias outras energias, e o conjurador deve fazer essa transformação como parte do processo de conjuração da maioria das magias. 
    Percebi que expliquei muito pouco sobre como ocorre o 4º passo, a Transformação. Lembrando: usa-se a Mana como uma energia “neutra” até o momento da conjuração, em que se transforma ela nas diversas energias que a conjuração possa exigir. Isso ocorre pois no momento que ela se transforma em outra energia ela passa a seguir outras regras, o que significa que já não funciona mais como a Mana funcionava, ou seja, o seu Controle dessa energia já não é mais o mesmo, se é que se tem algum controle ainda.
    As regras do controle dessas outras energias podem ser superficiais mesmo, deixo tudo que já existe seguindo as mesmas regras que já existem, como o fogo precisa de oxigênio, combustível e calor para queimar, ou a eletricidade precisa de uma diferença de potencial e corrente suficiente para superar a resistência para fluir, e por aí vai. O importante aqui é que se eu quiser conjurar, por exemplo, a magia Luz basta acumular Mana suficiente e transformá-la em luz. Se quiser conjurar um jato de chamas, o processo é semelhante mas você também precisa expulsar a Mana com pressão suficiente para as chamas irem pra longe numa direção e não queimar as suas mãos, além de obviamente ter Mana suficiente para sustentar tanto consumo.
    A Transformação se aproveita do potencial de mudança da Mana, de alguma forma você diz para a Mana o que quer que ela seja e ela então se transforma naquilo. E digo aqui que essa forma é herdada, como se fosse algo cultural. Cada cultura de conjuradores descobriu, ou herdou de outra cultura, sua forma de conjuração, e essa cultura é o que venho sempre chamando de Sistema de Conjuração, enquanto essas regras básicas que venho definindo agora seria a Teoria da Magia, e o Sistema de Conjuração que quero dar foco recebe o nome de A Arte.

  • A Manifestação é o que diz como vai ficar a magia no fim das contas, e deve ser capaz de trabalhar todo tipo de energia nas quais a Mana consegue ser transformada, salvo exceções. 
    O 5º passo nada mais é que o uso ordenado dos passos anteriores. Você não vai ter sucesso na conjuração se não conseguir sentir o fluxo de Mana, não vai ter Mana para conjurar se não conseguir controlar ela, não vai ter Mana suficiente nem controlar ela corretamente se não estiver sob seu domínio, e a Mana pura tem pouca utilidade já que quase não interage com as coisas, portanto é necessário transformar ela em algo que será capaz de alcançar o efeito que você quer.
    Faça todos estes passos e pode conjurar uma magia simples. Faça todos estes passos com inteligência, foco e habilidade e pode conjurar uma magia melhor. Faça todos estes passos várias vezes em paralelo de forma ordenada e temporizada e consegue conjurar magias avançadas com efeitos mais complexos.


    Gostei do resultado até aqui. Mas ainda falta o bendito do sistema de magia, como ele vai acontecer? Quais são seus princípios? Como fazer com que a Mana se transforme naquilo que quer? Fica pra um próximo post, esse já está grande demais.

sábado, 17 de outubro de 2020

O Grimório do Kadin, pág 6

 

 Mana: Domínio, Transformação e Conjuração, Pt2

    A Mana não está parada no ambiente, ela flui, as vezes fica mais rápida, as vezes fica mais densa, então sente-se e feche os olhos, concentre-se em sentir a Mana ao seu redor. Quando puder dizer para que lado a Mana flui, procederemos para o próximo passo. Quando chegar neste ponto se concentre não na Mana do Ambiente, mas naquela que já dominou. Exerça seu domínio, manipule esta energia, você deve perceber agora os resquícios, um rastro de Mana que ainda resiste ao teu comando, que não está completamente sob seu domínio. É consideravelmente difícil evitar que isso aconteça, quando se concentra no todo pode não conseguir se atentar a uma parte, quando se concentra na parte pode perder o seu domínio do todo. Deve expelir toda a energia que não consegue dominar, mesmo que sobre pouco.
    Qualidade sobre quantidade. Você pode exaurir seu corpo bem depressa ao mover grandes quantidades de Mana, e pode alcançar o mesmo resultado com apenas uma fração desta quantidade de Mana que esteja sob seu domínio completo.
    É fortemente sugerido que como primeira energia para transformar seja para a luz. Ela também pode ser nociva ao seu corpo, não se engane, mas apenas em grandes quantidades, um iniciante não terá um problema como este. Pode tentar começar com a imaginação, levante a ponta do dedo, imagine o que aconteceria se ele brilhasse, como seria essa luz? Qual cor? Qual a intensidade do brilho? O que estaria sendo iluminado por ela? Agora tenta mover a sua Mana para a ponta do seu dedo, concentre-a e então ordene-a para que se acenda. Use o pensamento que melhor lhe servir, diga em voz alta se preferir. Não se esqueça de manter sua concentração na Mana. Quanto mais clara sua mente for, melhor. Tente, tente de novo, no sucesso, terá conjurado sua primeira magia. 


Queria seguir em frente, por a teoria à prova. Sabendo os passos para conjurar, qual magia conjurar então? Abri um livro do D&D, e busquei por um truque de Nv 0 que fosse mais comum: Luz. É perfeito! 

Então voltei a escrever me inspirando nas páginas anteriores, como se fosse um mestre ensinando seu aprendiz. Agora sim se parece com aqueles episódios que mostram como é a aula do protagonista durante seu treino, não é mesmo?

Estão aqui os 5 passos, todos em ordem, parece fazer sentido, gostei do resultado até aqui. Vamos continuar, testar com outra magia, uma básica mesmo mas um pouco menos convencional: Rajada de Veneno. Agora complicou um pouco: basta o conjurador pensar em como seria o efeito e ele acontece? Não se parece com os magos que passam uma vida de estudos nas coisas mais diversas, que dizem que conhecimento é poder. Só imaginar e a magia acontecer é tão... Disney. Feérico. Onírico. Não é ruim, mas também não é o que eu estou buscando. Sou um CDF da magia, mim dá licencia? 

O problema aqui está na Manifestação, o 5º passo. De fato, aquilo que diferencia cada magia está aqui, não se pode deixar isso tão simples, precisamos de um sistema que compreenda todas as magias (numa regra geral que pode estar cheia de exceções, é claro), e que não seja tão complicado também a ponto de só os magos CDFs podem conjurar desta maneira. 

Novamente usando D&D como referência, a magia de lá possui componentes verbais, somáticos, materiais e alguns outros, isto me dá um belo ponto de partida. Nos filmes também há várias referências, em Doutor Estranho ou Warcraft, mesmo alguns animes como Full Metal Alchemist, Fairy Tail ou Overlord, os personagens fazem magia (ou alquimia no caso do FMA) usando círculos mágicos. Sempre vi os círculos como uma forma de conjuração mais baseada em rituais demorados, e um brilho neon no ar por mais legal que seja é muito chamativo pro meu gosto, mas sem dúvida servem de inspiração. 

É nesta etapa que mora A Arte, como se faz a conjuração, como a sua magia vai ficar afinal. Tem que ser bem feito. Há muito me inspiro também em Magic, The Gathering: eles tem um tomo livro de regras, mas novas mecânicas são adicionadas periodicamente, e cada carta tem permissão de abrir uma exceção à regra. Em outras palavras, posso ir criando diferentes mecânicas para a manifestação e pegando as melhores para tornar oficiais. Funciona.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

O Grimório do Kadin, pág 5

 Mana: Domínio, Transformação e Conjuração, Pt1

    Após aprender como dominar e manipular a Mana é quando alguém pode de fato tentar conjurar uma magia. Claro, isto é seguindo o caminho de um mago, um caminho amplamente seguido e que pode levar quase qualquer um ao primeiro círculo, dado tempo e dedicação suficientes. 
    Mana é uma energia, interage apenas com aquilo que interage com ela, que volta ao seu estado natural semi passivo assim que sai do domínio do conjurador. Mana é a energia que usamos para conjurar magias, mas primeiro temos que transformá-la, convertemos ela em outra energia, outra Mana, que fará a magia acontecer. 
    Qualquer energia fora do domínio de alguém pode ser nociva ao corpo deste alguém, mesmo Mana não é exceção, então é fácil saber do perigo de convertê-la para, digamos, o calor necessário para a clássica Bola de Fogo. É aqui que entra ter um bom domínio sobre a Mana, e para se ter um bom domínio é necessária uma boa precisão em senti-la.
    Isso não é fácil. Sabe dizer a forma do vento quando a brisa bate em seu corpo? Sabe ao menos dizer de onde veio essa brisa, ou pra onde ela vai? E quando essa brisa só passa perto de você, sabe ao menos dizer que ela esteve por lá? Agora, e se fosse uma energia que sempre esteve ao seu redor, mas que precisou de todo um treinamento para apenas começar a sentir?


Passei um bom tempo refletindo sobre reserva de mana, regeneração de mana, por que uns tem mais mana que outros, sendo que a mana está por aí no ambiente. Fiz uns esboços, coloquei no papel alguns fatos (como eu queria ter encontrado esse papel agora para compartilhar aqui...), e acabei percebendo que não posso deixar os conjuradores usar a mana do ambiente para conjurar. Logicamente falando, como se daria o desgaste corporal, a limitação que havia imposto para capacidade do conjurador, se ele só precisasse falar ao ar e a magia acontece? Como se daria a explicação da reserva de mana? No fim, não quero fazer com que os conjuradores estejam completamente bloqueados de conjurar usando a mana do ambiente, porém deixo isso para certas técnicas, certos caminhos, deixo isso para as exceções, e por hora vamos com a regra geral: Existem 2 Manas, a que você pode absorver do ambiente e a da sua barra de mana, lore wise a sua barra de mana é um tipo diferente de Mana, uma transformada, com a sua assinatura digamos assim. Isso foi decido já há várias páginas do grimório atrás, mas só agora é que conseguimos montar tudo. 

Então temos 5 passos para conjurar (usando a Mana):

  1. Sentir
  2. Manipular
  3. Subjugar
  4. Transformar
  5. Manifestar
    Aqui então digo que uma magia é um ou mais fenômenos alimentados por uma ou mais energias (espera aí, isso não está parecido com a definição de Trabalho?). 
    A ação é definida pelo conjurador, e passada para a energia de alguma forma, como a voz por exemplo, a manifestação da vontade do conjurador. E para que não sejam apenas palavras vazias, ele imbui uma energia nessa manifestação (5º passo), essa energia tem que estar adaptada à ação que irá alimentar, usando um exemplo do mundo real: uma lâmpada se acende com eletricidade, outras energias não vão funcionar. 
    Para imbuir essa energia, o conjurador tem que ser capaz de controlar ela, mas ser capaz de controlar cada energia deve ser beeem difícil, então não seria mais fácil controlar uma energia só e transformar ela nas outras no momento da alimentação? Novamente usando eletricidade como exemplo, nós movemos eletricidade por todo o país para só então eletrodoméstico comum transformarmos essa energia em algo útil, como calor pra um chuveiro ou as várias características da luz de uma TV. Logo, usa-se Mana como uma energia neutra, e no momento da conjuração transforma ela numa energia especializada (4º passo). 
    Como disse antes, não posso deixar que o conjurador use a energia do ambiente para isso, ela tem que estar sob seu controle. Então para transformar a Mana e imbuir ela na manifestação da magia, o conjurador tem que subjugá-la ao seu domínio (3º passo).
    Mas não se pode subjugar a Mana sem ser capaz de controlar ela, logo o conjurador primeiro tem que ter uma boa manipulação da Mana (2º passo).
    E não se pode manipular a Mana sem nem saber que ela existe ou onde está, então começa-se afiando seus sentidos (1º passo). 

sábado, 10 de outubro de 2020

O Grimório do Kadin, pág 4

 Energias, Mana e Primeiros Passos, Pt3

    O seu entendimento de como fazer a Mana se mover é o que chamados de Manipular a Mana, e este domínio influencia diretamente em seu potencial como conjurador.
    Existem formas de saber como está seu domínio no Sentido e na Manipulação da Mana, e para a terceira etapa, um bom controle é necessário. Até este momento, o que foi feito foi na Mana do ambiente, e este tipo de domínio é lento e limitado, o potencial de transformação da Mana não é explorado assim, você te, que remover a resistência dela, subjuga-la, transforma-la em uma energia que é sua, e para isso, você usa seu próprio corpo. É por isso que um domínio é necessário, não tem como uma energia descontrolada correndo pelo seu corpo ser algo bom.
    Seu corpo é como uma esponja, e a Mana ao seu redor é a água. Absorva-a. Mova a Mana pelo seu corpo, expulse-a e absorva novamente. Faça devagar, não se force, acostume-se com o sentimento, acostume seu corpo com a energia que flui em você.
    Duas mudanças ocorrerão: seu corpo passará a se comportar de fato como uma esponja, absorvendo sozinho a Mana sem que você precise fazer algo a respeito; e a Mana em você passa a ser mais ágil, mais concentrada, e flui melhor. Perceba que assim que ela deixa seu corpo ela rapidamente volta a ser como a do ambiente, se isso acontecer é porque aprendeu como dominar a Mana. 


Não gosto da ideia de que magia seja infinita. Ela não é onipotente, e o conjurador menos ainda. É necessário algum limite nisso, a resposta novamente foi tirada das histórias, mas dessa vez foi até instintivo: o próprio corpo do conjurador é o canal para usar a Mana (e as outras energias também, embora eu não queira fazer dessa uma regra absoluta), mas para fazer isso ele sofre desgaste. Sempre haverá um limite em quanta Mana o conjurador pode manipular, por mais adepto que ele seja. 

Essa maneira também trás outras vantagens: já explica por que alguns conjuradores conseguem manipular mais energia que outros, explica o conceito de Mana Regen passivo, e até toca nas bordas de eficiência de conjuração, como Velocidade na Manipulação da Mana e Concentração da Mana, coisas que podem ser usadas mais pra frente. De fato, essa eficiência na conjuração é talvez a diferença mais fundamental entre um feiticeiro e um mago, mas isso fica para outro post, ainda farei uma comparação entre todas as classes conjuradoras. 

Penso também que não são todas as pessoas que são aptas a manipular a Mana desse jeito, mas não vamos pensar nas exceções agora. A vida é injusta, um pode ser melhor que outro usando a mesma quantidade de esforço, mas ao mesmo tempo não gosto de definir coisas de nascença, então mesmo que uma pessoa nasceu sendo completamente incapaz de conjurar magias, falhe em cada forma de se tornar um conjurador, sempre terá outro jeito. 

Já vou adiantando aqui: não quero definir nomes, não quero definir classes, não quero essas limitações que só fazem sentido para equilibrar classes e limitar papéis de jogador, então conforme esse projeto progredir eu posso usar os termos que existem por aí apenas como nomes, mas como disse logo no começo do Grimório, seu caminho é você quem faz, e a Teoria da Magia tem que permitir isso. 

Então é isso, deixo aqui a página 4 do Grimório, com pelo menos uns 3 ganchos para páginas futuras.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

O Grimório do Kadin, pág 3

 Energias, Mana e Primeiros Passos, pt2

    Você não pode manipular uma energia sem nem ao menos senti-la, e com a Mana ainda existe uma terceira etapa: torná-la sua.
    Como é o sentimento não posso dizer, isso é único para cada um e qualquer dica que eu ou qualquer outro der tem mais potencial de atrapalhar  que ajudar. Dito isto, o que eu posso ajudar é nas práticas que você pode executar que possuem boas chances de lhe dar sucesso em sentir a mana. 
    Começando pelo mais óbvio, é mais fácil sentir a Mana em um ambiente com maior concentração.
    Ingerir alimentos e líquidos ricos em Mana tem altas chances de ajudar, mas são raros, caros, e há doenças relacionadas ao acúmulo de Mana no corpo, portanto não exagere. 
    Há quem consegue através da meditação, isso toma tempo e nem sempre dá resultado, ainda assim vale a tentativa. Saiba como meditar antes de tentar isso!
    Claro, há outras maneiras, e você não precisa escolher apenas uma, o importante nesta etapa é explorar este sentido, quanto melhor usa percepção da Mana, melhor seu domínio sobre ela.
    Chegará um momento em que você deve perceber que a Mana "te ouve", como se ela quisesse seguir a sua vontade, ela parece se concentrar no mesmo local onde você se concentra, e neste ponto podemos começar a treinar o controle sobre a Mana. 
    Haverá resistência. Trate a Mana como uma pessoa preguiçosa, alguém que quer algo mas não sai do lugar para conseguir aquilo. Você precisa incentivá-la, empurrar, puxar, trazer a ação para ela, agir por ela. 


Seguindo em frente neste cenário tutor/aprendiz, qual seria a próxima aula dele? Bom, talvez não essa, mas foi onde cheguei. 

Se as magias dependem de uma energia para acontecer, então o conjurador precisará conhecer essa energia, saber como ela se comporta, entender seus princípios, para só então tentar fazer com que ela se comporte de uma outra forma e então tentar fazer uma magia com isso. Compare com a energia elétrica: não é apenas recentemente que sabemos da existência dela, mas só agora que sabemos como controlá-la. É a diferença entre saber que algo está lá e saber por que este algo está lá. Novamente comparando com a energia elétrica, aprendemos como transformar outas energias nessa, como movimentar ela por aí, e depois construímos aparatos que se utilizam dessa energia para todo tipo de fim (nem parece que formei em mecatrônica '-'). Muito do que imaginei ao pensar nas energias foi me inspirando nas energias reais como a elétrica. 

Mas essas energias não estão aí a mostra, pelo menos a maioria delas não, e este é o caso com a Mana. Explicarei mais sobre isso mais tarde, mas adiantando este assunto, a Mana está em todo lugar, não se importando com a matéria (por mais que ainda interaja com vários materiais). Mas isso não significa que sabemos percebê-la. A confluência é povoada de mundos fantásticos e seres maravilhosos, alguns deles podem ser capaz de perceber a Mana assim como nós percebemos a luz, algo que é intrínseco ao nosso corpo, mas estes casos são a minoria, portanto sigo em frente com: se você não é capaz de sentir a Mana, então aprenda a sentir a Mana! (ou qualquer outra energia que possa ser usada para conjurar magias, adiciono)

Dei vários exemplos sobre como alcançar esta etapa. Espero que sirvam de base de inspiração no futuro, pois quero que o sistema explique por que estes métodos funcionam, assim como abra espaço para a criação de vários outros métodos. Se por algum acaso a lógica descartar alguma coisa, tudo bem, descarta e segue em frente ou muda a lógica. Se a teoria não explica a realidade, mude a realidade então. Os físicos teóricos deveriam tentar fazer isso de vez em quando. 

Não sei se já deu para perceber, eu não quero descartar muita coisa, quero que o sistema seja capaz de explicar muuuuita coisa. Uma visão da coisa ainda mais macro que a visão macro da coisa. Eu disse que era ambicioso.