sábado, 12 de novembro de 2022

Confluência no Multiverso da Loucura

     Recentemente eu me peguei perguntando se estou trabalhando no formato certo, será um blog a maneira correta de eu externalizar meus pensamentos? Documentar os desenvolvimentos desse projeto paralelo interminavelmente grande chamado Grimório do Kadin? Tive problemas com meu conteúdo ser encontrado em mecanismos de busca, eu produzo poucos posts longos demais e que não sei quebrar eles em partes menores. Foi quando percebi que eu saí da essência do que eu queria com o blog, O Grimório do Kadin é apenas um dos mundos conectados na Confluência, acabei "deixando os outros portais esgotarem a energia e fecharem". 

    Parece que é hora da manutenção.

    Se eu analisar tudo o que a Confluência é, realmente, os posts do Grimório do Kadin são aqueles dos quais mais me dedico no meu dia a dia a criar conteúdo, mais me dedico a expandir. E como são posts longos que esgotam a energia pois requerem muitas releituras minhas, acabei não postando mais nada, nenhum outro assunto. Vou pegar novos cristais energizados aqui e plugar eles nos portais inativos, bora remexer a poeira parada que tem por aqui e dar voz aos conteúdos vindos de outros mundos. Posts menores parece saudável pro blog

    Bora reformular a estrutura de pensar desse blog para voltar a ir pro rumo que queria. 


sábado, 5 de novembro de 2022

Páginas Perdidas do Grimório do Kadin

     Bom dia, boa tarde, boa noite. Cheguei pra mais um post, desta vez tão espaçado em tempo que dá até vergonha por que tempo eu tive. A boa notícia é que embora eu não dê a moral que o blog pede, o projeto mesmo está sempre vivo na minha mente, matutando ideias e soluções, estou sempre buscando inspirações de várias fontes, mesmo as não relacionadas com magia - principalmente as fontes não relacionadas com magia, diria que são as mais impactantes. 

    O problema da vez é a lore dos módulos da Transformação, as peças que serão passadas para o jogador tentar montar suas magias e com as informações que o jogo precisa para traduzir aquilo em uma magia de fato. 

    Adoro usar D&D como referência. 

    No Dungeons & Dragons, existem algumas características que devem estar presentes em todas as magias, que fazem parte da estrutura da magia, e que são necessárias pois afinal, D&D é um jogo cooperativo e precisa de algumas regras para funcionar. São essas características o Nível da Magia, o Tempo de Conjuração, o Alcance, a presença (ou falta) de Componentes (Verbais, Somáticos, Materiais), a Duração do efeito e por fim, os Alvos
    Eu pessoalmente gosto dessa visão pois, novamente, D&D é um jogo, e ele já trata de questões técnicas de uma magia. É necessário descrever em detalhes o que é necessário para conjurar, o que ou quem a magia afeta, qual a distância máxima que ela consegue ser efetiva ainda, por quanto tempo seu efeito consegue durar. 
    Ainda no D&D, ele faz questão de não descrever, ou de descrever apenas o mínimo possível, dos motivos, dos porquês, pois assim ele deixa aberto ao jogador fazer como quiser, colocar a roupagem, a skin que quiser, o que é exatamente o problema que quero resolver aqui, e isso me diz muita coisa. 
    Se o D&D que é o D&D fez como fez, por que eu faria diferente? Bom, por que eu quero ir além. A WotC tem mais o que se preocupar do que só a sessão de magias no Livro do Jogador. Eu não, estou completamente focado nessa sessão e dane-se o resto do mundo.

    Então prosseguindo, como crio minha skin para meus módulos?

    Vou continuar me apropriando de materiais criados por aí, sejam eles da fantasia ou não. 

    Relendo posts antigos eu fiz referência a Naruto e seus ninjutsus, e aqui os módulos para um ninjutsu é uma mistura das características do chakra do usuário, a manipulação do chakra e os selos com a(s) mão(s). Provavelmente tem mais coisa aí mas tanto faz, tá feita a roupagem pra um sistema de magia que tem até nome, Ninjustsu. 
    No universo de Harry Potter não explica muito bem essa roupagem, tem um fator genético, tem a varinha, tem palavras que precisam ser ditas, tem gestos que precisam ser feito. Na verdade não é um bom exemplo pra mim também pois faz eras desde que assisti pela última vez, mas estou citando pois vi que teve fanfic que tentou (e se páh conseguiu) fazer exatamente o que estou fazendo aqui (um sistema de magia) só que focado nesse universo, confesso que ainda não li, mas está lá, toda uma descrição dando sentido a como a magia do universo do Harry Potter funciona. 
    O jogo Magicka 2 possui 8 elementos (módulos) que podem ser usados sozinhos ou combinados seguindo algumas regras, e algumas formas diferentes de conjurar essas magias como só tacar, ter a si mesmo como alvo ou epicentro do efeito ou encantar a arma com aquele efeito para que ele aconteça em golpes. Existe todo um conjunto de regras tratando cada possível combinação e daí saem a maior parte das magias, pois ainda existem algumas magias que são aprendidas no decorrer do jogo que exigem uma combinação específica dos elementos e uma forma exclusiva de conjuração. A lore desses módulos da magia nesse jogo está em cima desses elementos, que são concedidos ao jogador um a um no começo do jogo e explicado o que são, como elemento da vida ou da necromancia que se anulam, elementos clássicos como água, fogo e terra, mas optaram por não colocar ar, e outros elementos que costumam aparecer quando percebe-se as limitações do sistema dos 4 elementos, como gelo ou relâmpago. Esses são os poderes dos magos lá (deixei uns 2 ou 3 de fora), e acabou a roupagem. Ou melhor, não precisa de dizer mais dessa roupagem pois são auto explicativos na maior parte das vezes, com a apresentação um a um, o que eles fazem. Parece limitado mas não é, é bastante intuitivo, pelo menos dentro do cenário desse jogo. 

    Mas no fim vou dizer que os módulos são runas, cada runa tem suas características, e se posicionadas de certa maneira conectam suas características em efeitos mais complexos, e por aí vai na criação da magia. Evoluo isso ainda mais adicionando os círculos mágicos, então tenho uma mistura de runas e geometria que são ambos esteticamente agradáveis e possíveis de construir num código de computador para que o jogador construa suas magias. Não é como se não houvesse outros métodos, mas é que esse parece um bom começo. 

    Runas e Círculos

    Começando com as Runas, existe uma questão cultural e estética aqui, a cultural é a relação com as runas nórdicas que são várias vezes relacionadas a magia da vida real, e isso causa a questão estética que faz as pessoas já estarem de certa forma acostumadas a verem essas runas pensarem que estão relacionadas a magia. E a questão estética nem precisa estar relacionada as runas nórdicas, vários símbolos trazem misticismo junto com eles, um Ankh, o Olho de Hórus, os vários símbolos do  horóscopo, sigilos então nem se fala, um gerador de sigilos é a automação da criação de símbolos aparentemente mágicos (aparentemente, por que enquanto for só o resultado do script é só um desenho aleatório, a magia de fato viria depois). 
    Existe todo um conceito por trás dessa estética fazer sentido que não pretendo me aprofundar aqui, mas quero dizer que a estética funciona, ela trás para quem vê a ideia de que aquilo está relacionado com magia. Bom, para o meu jogo eu não gostaria de usar nada que já exista de fato nesse ponto, vou usar a ideia, não o conteúdo. Mas eu vou me aprofundar na ideia, na lore, vou tentar criar um motivo para que os símbolos que criar para representar os módulos sejam como são e fazer as coisas com que tenham múltiplas camadas de sentido. No futuro, claro. Por hora, foco em fazer a mecânica funcionar. 
    Por falar em mecânica, os círculos mágicos estão amplamente conectados a magia arcana. Ainda mais, amplamente conectados a magia fantasiosa na cultura popular, apesar de ser mais uma apropriação da fantasia sobre a realidade. E mais uma vez traz consigo um pacote estético muito poderoso, muito presente, o que é bom pra mim: Se a própria imagem é tão atrelada a magia, mesmo uma explicação ruim sobre o por que ela é mágica é mais facilmente aceita! =p
    Falando mais um pouco da mecânica antes de voltar para a lore, tenho aqui então as runas representando os módulos e os círculos representando as conexões entre esses módulos? Ainda não, tenho que criar mais conexões com a Mana e com o desejo do personagem conjurador, e vou fazendo isso lado a lado com a lore


        Tá, mas e a lore

    Porquê uma Runa é mágica? Como ela está relacionada com a magia? Com a Mana? Como esse efeito acontece? Porquê "esse" efeito e não "outro"? Bom, vou ter que simplesmente criar uma resposta agora, sem mais raciocínio lógico em cima de pesquisas. É essa a hora de colocar a culpa em algum deus da magia? Yep.
    Recapitulando, estou trabalhando na criação de um sistema de magia, que com regras e lógica seja capaz de reproduzir quase todas as magias que vemos na fantasia, mas como isso é amplo demais eu decidi começar com a Mana, uma energia em específico amplamente conectada com magia (na fantasia, claro), da qual estou mais habituado eu mesmo. Lá atrás na página 7 eu criei um conjunto de regras e descrições para a Mana do mesmo jeito que estou fazendo neste texto agora, características que tenho que respeitar o máximo possível para continuar criando. E para conjurar usando Mana, disse que o conjurador precisa de Sentir, Manipular, Subjugar, Transformar e enfim Manifestar a Mana em Magia, sendo a transformação a etapa onde as runas e círculos se encaixam. 

    Ditas as regras, vamos criar os fatos:

  • Uma runa é um pedaço de texto ou de desenho (ou de pictograma, ou de ideograma, ou de qualquer representação visual bidimensional que seja esteticamente interessante) que guarda um significado em si, com a característica de interagir com a Mana de maneiras específicas para cada runa. Isso é um fato da natureza, assim como as coisas caem para baixo ou o fogo queima, a runa está entre aquelas poucas coisas que interagem naturalmente com a Mana. Porque disso? Insira qualquer história aqui. A resposta "fácil" é falar que um deus mudou a realidade para ser assim, mas podemos só dizer que sempre foi assim ou dizer são reminiscentes de uma civilização mágica antiga que foi capaz de alterar a realidade em que viviam mas assim como os atlantes, sumiram da existência. Na verdade deixar em aberto pode ser mais interessante do que definir uma resposta, então a resposta é que não há resposta para o por que das coisas serem assim, só são. 
  • Um conjunto de runas formam um Sistema Rúnico, que assim como as letras do alfabeto precisam estar seguidas umas das outras em um padrão para formarem palavras, as runas podem ser conectadas seguindo certos padrões para formarem novos efeitos ou efeito mais complexos.
  • Um círculo mágico é literalmente um desenho de círculo que serve para encapsular um sistema  rúnico, fechando as conexões das runas, ajudando a direcionar a Mana através dessas runas. As geometrias usadas em conjunto com um círculo também tem essa função de auxiliar a Mana através das runas e auxiliar o posicionamento das runas dentro do círculo, como um caderno de caligrafia ajuda uma pessoa a escrever as letras alinhadas e espaçadas corretamente. Essas geometrias, para quem ainda não visualizou, são as formas que se vê dentro dos círculos, como pentagramas ou hexágonos. 
  • Um círculo pode conter outros círculos dentro, o que significa que é um sistema dentro de outro sistema, e assim como a matemática resolve os parênteses primeiro, para calcular o resultado desses sistemas rúnicos deve-se resolver os círculos mais internos primeiro. 
  • Os efeitos que uma runa faz podem, teoricamente, serem reproduzidos pela mente do conjurador, desfazendo então a necessidade das runas. Porém, o conjurador precisa ter conhecimento para fazer com que isso se torne verdade, e enquanto as runas fazem o trabalho automaticamente, a mente do conjurador tem que processar cada efeito individualmente, fazendo com que magias complexas sejam demais para a mente de um conjurador.

    Esses fatos parecem bons. Dá pra criar um história bacana usando isso de base. E também obedecem ao que defini como requisito aqui e aqui. Tem um problema a resolver que já percebi que é: se as runas estão baseadas na Mana, quando elas transformam a Mana em outra coisa por causa da magia, como vai ficar essa interação da runa com essa outra coisa? É importante mas nada que mais umas regras arbitrárias não resolvam. E certamente tem outros problemas ainda viu.... Essa parte do círculo ainda está difícil, mas deboas também, por que se pensar, uma magia com efeito tão simples mal precisa de runa, uma magia um pouco mais complexa precisa de uma ou algumas runas, conforme vai deixando ela mais complexa cria-se um sistema rúnico, para só então chegarmos nos círculos mágicos que já são magias bem mais complexas, então eles serem complexos não me parece um problema tão grande assim. No mínimo não são problema pra agora hahahaha. (O Kadin do futuro que se vire)

    Agora vem o teste. Isso tudo está sendo desenvolvido ao longo dos anos, com longos intervalos e possivelmente algumas coisas que disse agora não bate com o que disse antes. Preciso fechar essas pontas, testar se o sistema está funcionando e então, finalmente, escrever a próxima página do grimório. Tô achando que esses últimos posts todos poderiam ter sido páginas já, só não fiz pois achei que precisava seguir o modelo de um pedaço de Lore e depois minhas observações do tema. Acabou não sendo, fazer o que. Pois é, achou que é fácil? Não é não rapaiz, tá foda bagarai. Mas aqui está meu "algo mais". Feito melhor que perfeito. 

domingo, 30 de janeiro de 2022

Vamos brincar de Lego

    Oi. Voltei. Quero desenvolver algo mais nesse projeto chamado Confluência dos Mundos. 

    Construir o Sistema de Magia inteiro de uma única vez é praticamente impossível. Construir o sistema em pedaços menores se mostrou tão ou mais difícil quanto imaginava. Então vou quebrar os pedaços menores em pedaços ainda menores! Não, na verdade não sei se isso está certo, mas dane-se. 

    Tive um insight, que foi bem útil creio eu, pensei em resolver o problema da Transformação com o uso de módulos. Pensa nas peças de Lego (se não sabe o que é isso vc não teve infância), o brinquedo já vem com várias peças conectáveis que sozinhas tem pouco ou nenhum formato interessante, mas conforme você monta essas peças de determinadas maneiras, algo que faça sentido e seja interessante surge. Minha ideia é aplicar isso na magia. Existem "blocos de montar" que fazem algo específico com a Mana mas que por si só não fazem muito sentido ou não são muito interessantes, mas ao agrupar eles de forma ordenada, a magia surge. 

    Bom, preciso mergulhar mais nessa ideia para ver se é viável ou não. E o que eu preciso analisar para definir a viabilidade da ideia? Quão controlável é, aplicabilidade em termos de lógica, adaptabilidade aos diferentes sistemas de magia que existem por aí, quais e quantos módulos existem... Então #partiu responder essas tretas todas. 

    

"Escolas da Magia" > Sistema da Magia com Mana > 4º passo, Transformação > "Módulos"

    Tá, deixa eu só explicar essa afirmação aqui e volto pro tema. Assim como Gildun disse, quando a gente conversa consigo mesmo não precisamos nos preocupar com a ordem das coisas. Mas aqui já não é mais só dentro a minha cabeça então vamos por ordem nas coisas. 
    A magia é ampla, ampla demais para que uma pessoa só seja competente em todas as áreas de conhecimento, ampla demais para que um único sistema de regras compreenda completamente cada forma de magia que já foi criada em alguma ficção (ou não, vai saber 8D) por aí. Cada uma dessas áreas de conhecimento eu aluguei dei o nome Escolas de Magia, mas sinceramente quero um nome melhor, que seja mais culto, que seja mais relacionado ao próprio conceito de "área de conhecimento", mas enfim, é que o temos pra hoje. Prosseguindo...
    Estou desenvolvendo um sistema de magia regrado focado no uso da energia Mana que já é uma separação arbitrária de minha parte pois é a que eu tenho maior familiaridade, esse sistema usa de 5 passos para que uma magia possa ser conjurada e o quarto passo é a Transformação, onde habita o problema que pretendo resolver até o fim desse post. Os "Módulos" são os blocos de montar que disse acima, partes pré-construídas que fazem pouco ou nada por si só mas que ao serem usadas em conjunto produzem efeitos mais complexos. 
    Voltando para o tema, esses módulos tem que ser capazes de se inserir no quarto passo da conjuração sem conflitar com os os 3 passos anteriores e o passo seguinte, e capazes de cobrir cada Escola de Magia sem perder o controle das coisas, controle demais e não conseguimos variedade, controle de menos e a variedade não importa. Esse controle seria efetuado com as seguintes ferramentas: 

Módulos multiníveis
    Voltando ao exemplo da magia de luz descrita muitos posts atrás, se aplicarmos o uso de módulos lá eu poderia dizer que feito os 3 passos anteriores, então aplica-se um módulo que transforma Mana (input) em Luz Branca (output) e que temos diferentes módulos para cada cor.
    Ou poderia dizer que um único módulo transforma Mana na luz que você falar para o módulo por pensamento ou qualquer outro meio (2 inputs).
    Ou poderia dizer que temos um módulo que acumula a Mana de forma preparatória para uso (como uma espécie de capacitor), então um módulo que permite o controle de quanta energia será puxada e enviada para o próximo módulo, então outro módulo que converte a Mana em Luz, aí passa por um módulo que serve de filtro de cor, enfim um módulo que expulsa essa energia de luz em forma de radiação uniforme multilateral. 
    Os primeiros exemplos criam cenários mais controláveis e mais fácil para o usuário, enquanto que o último permite que o usuário tenha liberdade criativa na magia podendo mudar a intensidade do brilho, a cor e até direcionar a luz da forma que quiser, mas é mais difícil de garantir que não tenha nenhum exploit fora que é mais difícil para o próprio usuário entender o que está acontecendo, afinal, para um iniciante se uma simples magia de luz já tem tudo isso de formas diferentes de coisas a entender então quão complexo seria uma magia para Voar? 
    Ainda assim, ter tanto os módulos que já fazem o processo inteiro quanto os módulos que fazem apenas parte do processo é a melhor solução. Cria ainda mais complexidade para o desenvolvimento, mas oferece ao conjurador o maior leque de possibilidades (sem que as coisas saiam de fato do controle) edit: mentira, as coisas tem maior chance de sair do controle assim, porém é uma questão de trabalhar as possibilidades, as combinações, para manter tudo dentro de um nível controlável. 

Características diferentes dos módulos
    Como deve ter dado para ver já no exemplo dos módulos multiníveis, os módulos tem características. Como regra geral (que talvez se torne uma regra rígida), todos módulos tem que ter pelo menos um input e pelo menos um output, todos eles pegam alguma coisa, fazem algo com aquilo então entregam o resultado disso. Entra Mana, sai luz. Entra luz branca, sai luz verde. Entra um fluxo instável de energia, e após um pequeno delay sai um fluxo estável em algum nível que faça sentido matematicamente. 
    Os módulos podem ter mais características, algumas presentes em todos os módulos como "eficiência de trabalho" em que uma parte da energia é perdida no processo, outros presentes em apenas alguns módulos específicos como um filtro de cor só ser possível se a energia for luz.
    Penso até em fazer com que os módulos possam ter suas características alteradas pelo conjurador, como por exemplo alguém especializado em magias de um elemento tendo melhor eficiência ao usar módulos relacionados e esse elemento, ou algo mais específico como uma bênção de um deus adicionando um módulo que causa dano divino à qualquer magia que você conjure ou a contraparte, um status negativo que altera o funcionamento de um conjunto de módulos em específico. Vai depender do tamanho da complexidade adicionada. 

Acesso aos módulos
    Os módulos não precisam estar todos disponíveis ao conjurador. Ou melhor, ir descobrindo (talvez construindo?) esses módulos faz parte da evolução tanto quanto a construção das magias. Como o acesso a novos módulos acontece não precisa ser discutido já, mas é importante definir que esse acesso vai acontecer de forma gradual e talvez até dizer que alguns módulos tem requisitos muito, mas muito rígidos para alcançar, como ser o GM do jogo por exemplo rsrs. 


Conjuntos de módulos
    Todos os módulos pertencem a um ou mais conjuntos, e funcionam dentro desses conjuntos. E quando digo conjunto quero dizer que todos os módulos que funcionam com Mana fazem parte de um conjunto; os que funcionam com a energia Luz fazem parte de outro conjunto; os módulos de que transformam uma energia em outra farão parte dos 2 conjuntos ao mesmo tempo ou talvez tenha separação quanto ao conjunto no lado do Input e do lado do Output; e posso até dizer que existem subconjuntos como módulos que tratam a forma de propagação da luz pertencendo ao conjunto da luz. A definição desses conjuntos provavelmente será completamente arbitrária, mas o mais importante aqui é que os módulos serão criados para funcionar apenas com o restante do conjunto, será impossível conectar módulos de conjuntos diferentes sem algo que faça essa ponte. Isso serve para conseguir separar as Escolas de Magia mas sem cortar completamente os laços, já que conhecendo os módulos que façam a ponte será possível unir duas escolas numa magia só. Também é possível que seja criada toda uma nova Escola na área intermediária, quem sabe. 

    Algumas outras dúvidas e possíveis respostas:

  •     Existe um limite de módulos usados durante a transformação? 
    Não! Mas uma limitação frouxa, indireta, tipo construir um módulo leva um tempo e manter os módulos energizados consome mana (ou estamina?) pode ser bom.
  •     O que fazer quando uma magia simples gerar um efeito desequilibrado?
    Bom, estou respondendo agora mas acho que terei que rever as respostas depois. Primeiro seria ver se é realmente desequilibrado. Tipo, e se todos começarem a fazer isso? Uma alavanca permite a aplicação de uma força sobre-humana, mas tudo que é necessário é um pouco de conhecimento e algumas ferramentas extremamente simples. O uso inteligente da magia é tão ou mais importante que uma abordagem de força bruta, nem sempre uma magia simples superando uma magia complicada é uma quebra das regras. Mas caso seja, então aí é hora de rever as regras, nesse caso espero que todas essas características que adicionei aos módulos permitam controle suficiente, mas sem um caso para estudo fica difícil saber o que estaria faltando. Imagino que o momento certo seja quando a experiência do(s) jogador(es) é afetada negativamente, como a magia de voo que simplesmente quebra a maior parte dos desafios num RPG.
  •     Espera-se que uma magia complexa tenha muitos módulos, e um conjurador refazer todas eles todas as vezes até que faz sentido. Mas num jogo isso não seria divertido, o que fazer?
    Eu penso em blueprints, você faz a magia uma vez e salva ela. Depois basta mandar o jogo replicar aquilo. Talvez fique apelão demais, mas aí quando chegar nessa situação eu penso em como melhorar.

    Respondendo as perguntas do início, então é até que controlável que os efeitos estarão definidos previamente, mas terá uma complexidade de interações grande e sempre aumentando, mas devido aos conjuntos ainda existirá um controle para a escalabilidade também. É aplicável, criar um a um é difícil mas não impossível. é adaptável, podemos criar conjuntos para cada escola de magia por aí, apesar de eu ter fechado isso no sistema de magia que usa Mana como base pode ser que eu não precise me fechar nisso mais no futuro. Exatamente quais e quantos teremos? O número que for necessário para alcançar a variedade de magias que temos por aí, que provavelmente será bem alto. A ideia é ir criando pouco a pouco, conjunto a conjunto, e ver no que dá.
    Acho que resolve o problema da Transformação, vou estudar práticas depois. 


Tá, mas e a Lore?

    Afinal, como que fica a lore dessa bagaça toda? Como explicar dentro da história mesmo porque é assim? O que é um "módulo"? Fica pro próximo capítulo. Vou ter que reler o que já escrevi nas páginas do Grimório do Kadin e talvez reescrever algumas coisas até. Aí escrevo a resposta na página 9 que está enrolando para sair com estudos práticos dessa solução. 

terça-feira, 12 de outubro de 2021

O problema da Transformação

    Viver não é fácil não. Morar numa cidade pequena que parece fazer questão de ficar travada no tempo não ajuda. Trabalhar do amanhecer até o anoitecer quase todos os dias e ainda tentar tocar projetos paralelos no tempo livre consome a pessoa. Eu acho. Por que comigo foi mais pra ficar jogando alguma coisa no tempo livre mesmo. Monster Hunter World é muito bom! Mas enfim, eu não vim aqui para ficar falando das procrastinações dos problemas da vida, eu vim tentar construir mais uma peça neste projeto que é o blog Confluência dos Mundos. 

    Outro dia, estava lá eu entediado e fui jogar Factorio. Dei load num save que já vinha jogando, e me deparei com mais de 10 minutos "perdidos" apenas olhando para aquilo tudo que eu tinha feito. Uma megafábrica lançando foguetes pro espaço sem parar. Eu estava olhando e relembrando como as coisas eram antes, num save novo você começa com uma mochila e uma picareta e nada mais. Ficou aquele sentimento de "cada pouquinho de tempo que fui jogando ao longo dos dias eu fui criando algo mais" e depois de várias dezenas de horas de jogo esse amontoado de "algo mais" ficou tão grande e complexo que é difícil e também bastante satisfatório você olhar e falar: "Eu fiz isso."

    Este blog foi criado em 2019, apesar de não poder comparar realidade com jogos já que eles são feitos para desafiar na medida certa e dar uma sensação de evolução com certa constância, eu percebo que ainda assim eu deveria estar fazendo mais por aqui. Eu deveria vir aqui e dedicar um pouquinho do meu tempo e tentar construir "algo mais". Então vamos tentar esse formato.


Eu ainda não passei do problema da Transformação. 

    Em meu post anterior eu mostrei diferentes abordagens para esse problema. Afirmei que a Mana pode se transformar em qualquer coisa que o conjurador deseje, desde que o conjurador tenha o conhecimento daquilo para passar para a Mana. Também disse que isso por si só é perigoso para a saúde do sistema então é necessária a aplicação de um intermédio que permita um controle de como isso vai funcionar. Adicionei também uma regra que a Transformação da Mana não é necessariamente absoluta, é apenas a Mana se comportando como o algo transformado e não o algo propriamente dito, mas não disse o que é necessário para que a transformação então se torne perfeita. Conclui, pelo menos parcialmente, que precisaria criar "Conceitos" para regrar a Transformação, e agora adiciono nessa explicação que estes "Conceitos" precisariam ser Definíveis, Quantificáveis, Exatos, não necessariamente booleanos mas ainda assim precisariam de características que os façam poder ser diferenciáveis na programação, para que um computador saiba dizer o que é um e o que é outro.

    Durante o tempo entre o post anterior e este, eu estive desenvolvendo mais deste papo mágico. Um pouco no caderno, um pouco na Unity, outro pouco em tabelas de excel e modelos no Yed, e mais um pouco na própria cabeça, jogando coisas relacionadas a magia e a criação dela, lendo coisas relacionadas a magia (destaco aqui que vi ambos, a magia fantasiosa e também a magia do mundo real, que não é o que eu quero pra confluência mas toda essa fantasia veio de algum lugar!). E não encontrei uma boa resposta ainda. Vi várias fontes que pareceram tão inspiradas na magia quanto eu, mas que no fim das contas a criação deles não trilhou o mesmo caminho que eu trilho. A parte do "sistema de magia" é pulada ou explicada em pedaços pequenos, insuficientes para mim. Eu não quero acreditar que estou sozinho nessa, se tiver alguém por aí lendo isso daqui e que seja doido o suficiente de querer discutir sobre como os magos nos rpgs podem conjurar magias, me chame! 

    Enfim, voltando para o assunto, eu não consegui construir uma resposta para essa questão da Transformação ainda, a internet também não me deu essa resposta ainda, está na hora de mudar de abordagem. Mal Feito melhor do que Não Feito (e a frase tá só piorando kkk). 

domingo, 28 de março de 2021

Entre Liberdade e Controle...

    Prezo pela liberdade. Acredito que todos que tem vontade própria, todos que tem consciência, deveriam estar livres para tomar suas próprias decisões, conseguir controlar o próprio destino, ser capazes de mudar as condições nas quais nasceu. 
    Eu me sinto como alguém que sempre andou à margem, nunca contente em trilhar por caminhos já trilhados, não como um completo desbravador do desconhecido, mas um explorador de novos pensamentos. Tenho certa aversão a ideia estar acorrentado, preso num destino que me foi decidido não por mim, corro sempre que vejo formas de amarras. Figurativamente falando, claro. Agradeço que minha vida me permitiu certa liberdade de ação, e hoje posso buscar meus sonhos sem que isso atrapalhe meu futuro. 
    Mas a liberdade total e desenfreada também é um problema. A sociedade só pode existir se restringirmos a nós mesmos até certo nível que seja adequado. Se permitir fazer qualquer coisa só por que pode fazer aquilo pode te levar a privar outros de suas liberdades, não seria isso errado então? 

    Saindo da Filosofia e chegando na Confluência, abordo esse tema na magia. Prometi pelo menos 1 post por mês, uma forma de me manter ativo por aqui e que vem dando certo, mas esse mês vou "falhar". Não por falta de tentativa nem por falta de posts, mas está de fato complexo trabalhar o assunto do próximo post, o 4º Passo da Conjuração no Grimório do Kadin. E o motivo é justamente esse, preciso encontrar o equilíbrio entre Liberdade e Controle que faça a Transformação ficar a níveis ideais, nem tão capaz que qualquer um possa fazer mesmo as magias mais mirabolantes nem tão limitado que só os mais competentes fazem algo de respeito. 
    Tentei correr com construir esse conteúdo no último fim de semana do mês, mas no meio do caminho percebi que é errado. Primeiro, quero que seja algo bem feito. A Transformação é talvez o passo mais importante da conjuração, não posso fazer correndo e deixar problemas pro futuro. Segundo, o que fiz foi prometer posts, não construir tudo até o fim do mês. Minha "meta" mensal é pelo menos evoluir aquilo que já construí a fim de chegar mais perto da conclusão, não é como se não pudesse entregar algo que ainda está no meio do caminho. De fato, está lá no subtítulo do blog: quero deixar aqui o Desenvolvimento, a parte entre o começo e o final

    Então seguem aqui meus pensamentos até o momento...


A Construção da Transformação

    A Transformação, o 4º passo da conjuração, é a capacidade de manipular não a forma ou a posição da Mana, mas sim sua própria composição. Da mesma maneira que a Mana obedece quando o conjurador ordena ela para ir para tal posição, a Mana obedece quando o conjurador ordena que ela se torne tal coisa. Essa coisa depende somente do conhecimento transposto do conjurador. As implicações dessa afirmação são perigosas para a estabilidade do sistema. Isso por que as coisas mais básicas da realidade são também as mais fundamentais, e se alteradas fazem todo tipo de estrago, e ao mesmo tempo quanto mais simples for alguma coisa, mas fácil é alterar a Mana para ser aquilo. Não pode ser simples assim, tem que ter alguma lógica, algum intermédio que faça o trabalho de forma controlada. 

    Minha primeira conclusão que acredito ser importante demais para deixar de fora é que a Transformação não é absoluta na maior parte das vezes. Ela é parcial, como uma versão falsa, incompleta daquilo que deveria ser. Uma pseudo-transformação. Tem pontos positivos e negativos, é bom por que a parte que ainda é Mana ainda pode estar sob seu domínio permitindo que você controle, também é absurdo de bom pois se bem feito você pode pegar apenas as partes que te interessam e transpor isso para a Mana, deixando as partes ruins de fora por exemplo, mas pode ser ruim no aspecto que não é perfeitamente real, a parte Mana daquilo vai fazer com que o todo eventualmente se desfaça em Mana de volta, a matéria não vai ser tão resistente, não vai ter tanta massa, a chama não será tão quente ou capaz de se espalhar como um fogo de verdade, a luz precisa de mais energia para iluminar o mesmo tanto, um veneno irá eventualmente se desmanchar e deixar de funcionar sozinho... É um conceito interessante que quero ver se consigo aplicar no sistema de fato, mas ainda não responde como as coisas vão funcionar. Ainda preciso de um intermédio na Transformação.

    Tem as "escolas de magia" clássicas do D&D: Evocação, Conjuração, Ilusão, Transmutação, Abjuração , etc... Elas abordam conceitos bem interessantes, mas será que englobam cada aspecto da magia como eu quero que façam? Sinceramente, acredito que não, mas ainda assim vou estudar o caso. Escrevo hoje em época de spoilers da coleção Strixhaven do MTG, a coincidência foi... interessante. Magic The Gathering separou as "mágicas" em 5 cores, cada cor engloba todo um conceito e hoje são tão complexos que parecem ter personalidades. Não dá para imitar o MTG aqui, mas dá para seguir seu exemplo: Criar conceitos que englobam cada aspecto da magia para fazer a Transformação ter regras completas e equilibráveis? Mais fácil falar do que fazer, mas a direção parece ser é essa mesmo, Conceitos. 

    Nesse ponto lembro dos 4 elementos: Fogo, Água, Terra e Ar. Sempre gostei deles por sua simplicidade, mas não é um intermédio adequado ao meu sistema. Eles são limitados demais: Eletricidade é um derivado do Ar ou do Fogo? De ambos? Não teriam Elementos mais versáteis que os outros? E os conceitos mais avançados, como Gravidade? Tempo/Espaço? Cura é derivada da Água então? Como funcionaria a Invocação? Qual o elemento dos clássicos Mísseis Mágicos? E a necromancia? Teria então novos "elementos" para adequar esses conceitos, como Luz e Trevas? Sub-Elementos? Quantas coisas teriam que ser criadas para esse sistema fazer sentido? Não faria a simplicidade desse sistema causar mais complexidade no futuro que um sistema mais complexo desde o começo? Nesse caso, qual outro sistema poderia usar?

    Lembrei outra coisa que tinha vontade de fazer, tinha como plano de ação não desenvolver a Confluência inteira logo de cara, e sim ir construindo aos poucos através de projetos pequenos e gerenciáveis. Lembra do Alchemist's Shop? Do Kingdom Inc.? Tive um outro que nem saiu do papel (de propósito) que tenho vergonha de dizer que nomeei como Way of the Magic. Todos estes são projetos que surgiram da vontade de começar, de dar o primeiro passo, de construir uma base que darão aos outros projetos que virão a confiança de arriscar algo mais, algo maior, e assim ir crescendo. Bom, admito que não vem dando certo, fui atrás de ver se tinha link aqui no blog pra direcionar quando escrevi o Alchemist's Shop, e fui descobrir que além de não ter link, ele estava listado como "Em Desenvolvimento". Já faz tanto tempo que nem olho pra esse projeto que nem lembro direito onde estão os arquivos dele... E prometi um post dele hein!?

    Enfim, por mais que estes projetos não estão mais vivos agora, eles se encaixam bem nessa ideia de intermédio da Transformação. Permita-me explicar: Alchemist's Shop aborda especificamente a parte da magia que tira proveito das propriedades dos materiais e suas reações com as energias mágicas. Way of the Magic aborda especificamente a conjuração da magia, coisa que venho fazendo no grimório mas de forma não específica. Quando pensava nestes jogos refleti sobre outras características que gosto na magia, os Rituais e os Encantamentos, outros 2 aspectos específicos da magia, um que aborda magias grandes, complexas e demoradas e outro que aborda dar propriedades mágicas e a habilidade de conjurar magias a objetos. Será que posso então dividir a Transformação através dos usos da magia, ir construindo um a um sempre mantendo em mente a compatibilidade das partes entre si, e eventualmente a Transformação está completa? É trabalhoso. É viável? E principalmente, é correto?

    Criar conceitos que englobam cada aspecto da magia para fazer a Transformação ter regras completas e equilibráveis, copiei e colei de lá de cima pois é como parece ser o mais correto no fim das contas. Transformar Mana em outra energia como Luz ou "Fogo" (calor) parece tranquilo, mas e quanto a Materialização das coisas? Invocação de criaturas? Sob quais leis a Alquimia é possível? E os Encantamentos? Poarr, Divinação, como faço ela ser possível de um ponto de vista lógico? Voodoo, bruxaria, maldições? Necromancia e não-vida? Como funciona a Cura? Sanguinomancia? Xamanismo? Magia divina? Esqueci alguma? Aposto que sim, mas quantas? Devo lembrar aqui que a Mana é a energia mais versátil e capaz de conjurar a maior variedade de magias, maaaaaaas não precisa ser capaz de conjurar TODAS as magias. Na verdade, de fato algumas dessas formas de magia que descrevi aqui se devem justamente pelo uso de energias específicas ou até mesmo a chave não está na energia e sim em alguma outra coisa. Então, quais, especificamente, a Mana é capaz de conjurar e como explicar a Transformação delas? 


    Então é isso, ainda tenho estudo a fazer antes de decidir como vai funcionar essa parte, Feito melhor que Perfeito, mas não significa Mal Feito!

domingo, 28 de fevereiro de 2021

O Grimório do Kadin, pág 8

A Arte, Pt2

    Mas se precisamos de meros movimentos casuais para conjurar magia, por que os afazeres do dia a dia não conjuram? Se palavras são necessárias para conjurar, como alguém pode dizê-las normalmente? Se runas podem ter efeitos mágicos, como escrever um livro de runas sem que ele se exploda? É importante estar atento aos detalhes, cada ação pode ser mundana ou mágica, dependendo meramente de quem a executa. Chamam isso de Afinidade, característica que define quão fácil é para o conjurador ter seu desejo interpretado pela Mana. E essa "afinidade" muda não só de pessoa para pessoa, muda também conforme seu domínio da Mana, e muda de tempos em tempos de formas um tanto difíceis de compreender. Os mais religiosos chamam simplesmente de "amados pela Mana" ou algo assim. Eu discordo: a Mana é inconsequente, e aqueles "amados pela Mana" devem tomar cuidado com mesmo seus pensamentos mais inconscientes ou essa bênção se torna uma maldição.
    Já aqueles "não amados", a grande maioria de nós diga-se de passagem, devem se esforçar para ter seus desejos interpretados. A mente limpa e clara não é algo fácil de alcançar, num momento de urgência é menos ainda, e uma magia complexa eleva o grau de dificuldade a níveis impensáveis. Para ajudar a manter o foco durante a conjuração assim como ajudar a ter seu desejo interpretado corretamente pela Mana, nós usamos de nosso próprio meio de comunicação, a fala.
    Damos nomes as coisas, e com isso sabemos claramente o que os nomes representam. Por isso foi criada a linguagem Arcana, uma linguagem com o menor nível possível de ambiguidades, mas exatamente por isso o maior números de palavras. Mas não importa que língua use, desde que clareie sua mente e transmita seu desejo, alcançou seu objetivo. Similarmente são os movimentos, diminui a carga mental se movimentarmos a mana com nosso corpo. Um pouco de treinamento pode ser necessário, porém. As runas são mais difíceis de entender, não é como se um símbolo pudesse desejar alguma coisa, afinal seu sentido depende de quem escreve, mas o efeito acontece para quem vê. Os materiais por outro lado são os mais versáteis e interessantes: servem como catalisadores pro efeito, ou até modificam eles. Extremamente úteis para as magias complexas, eles podem oferecer o conhecimento que não temos, e durante a interação da magia com estes materiais os efeitos podem ser alterados dramaticamente.
    Como pode ver, no fim tudo se resume à capacidade do conjurador de transferir sua vontade para a Mana. Aqueles que estudam a natureza e buscam entender os fenômenos mais estranhos da magia, conhecidos como Magos, usam esse conhecimento para criar magia. Aqueles que conseguem conjurar devido a alguma ascendência, como os Feiticeiros ou seres como os dragões ou fadas, aproveitam de uma afinidade natural com determinados elementos e um conhecimento cultural de determinados conceitos. Aqueles que receberam o poder de conjurar de outros seres, como Clérigos ou Bruxos, usam uma espécie de canal com este ser como catalisador ou como fonte do desejo que será passado para a Mana. Os Bardos conseguem conjurar pois conseguem transferir não só conhecimentos para a Mana, mas conceitos inteiros através de sua arte. Damos nomes às coisas, mas cada uma dessas "profissões" nada mais são do que pessoas diferentes que encontraram formas diferentes de "conversar" com a Mana. Poderíamos continuar indefinidamente nomeando cada "profissão", como os Xamãs que parecem ser uma mistura de Feiticeiro e Bruxo ou os Teurgistas que são uma espécie de Magos Divinos. Seu caminho é você quem faz.
    Seu caminho é você quem faz. Cada um tem sua própria forma de se fazer ser entendido pela Mana. Você pode até ter sucesso em copiar como os outros fazem para conjurar, mas só você sabe como é a melhor forma de organizar seus pensamentos para passar sua vontade, só você sabe como movimentar seu corpo, como controlar sua Mana. Inspire-se no sucesso e no fracasso dos outros, mas trilhe seu próprio caminho.


Tá parecendo livro de autoajuda.  =p

    Bom, preciso continuar desenvolvendo como acontece a Manifestação, quero me focar num sistema em específico mas sempre que tento acabo voltando pros termos gerais. Sempre me foi mais fácil enxergar o geral mesmo, não é novidade. Muita coisa foi definida nestes 2 últimos posts, percebi que era importante analisar e preencher algumas lacunas. Nisso acabei criando mais, essa tal de Afinidade nunca me passou pela tão claramente, embora definitivamente o conceito esteve desde o começo em um canto ou outro dos pensamentos. E mais, tem desculpa melhor para explicar as inconstâncias da magia do que essa? 

    Não gosto da ideia de que a habilidade de alguém, o destino de alguém, seja decidido no momento que esse alguém nasce. Mas ao mesmo tempo, eu disse antes: a vida é injusta. Pessoas nascem diferentes, na Confluência essa diferença passa a ser ainda maior o se considerar que não tem só humanos entre as criaturas inteligentes. E Afinidade pode ser exatamente essa característica que define a diferença entre 2 conjuradores, que tiveram pontos de partidas semelhantes, tempo de estudo semelhantes, acesso aos mesmos conhecimentos... Não só isso, nada impede que ela seja alterada com o decorrer do tempo através de vários fatores, treinamento extensivo, poções exuberantes, bênçãos divinas... Poxa, até mesmo o estado emocional pode alterar a Afinidade e fazer com que uma magia se torne mais poderosa num momento crítico! (clássico aumento de poder repentino quando fica puto). 

    Também nunca cheguei a falar da linguagem Arcana, e ela de repente apareceu. Em termos de história isso seria conhecimento comum, uma linguagem mística usada pelos conjuradores, e que nem eles mesmos sabem a língua corretamente. Em temos de desenvolvimento do sistema de magia ela é uma consequência, nascida da necessidade de trazer de volta o misticismo da magia. Já tem bastante tempo que estou criando um sistema para conjuração de magia que faça sentido, e a ideia de que a Mana parece ter uma espécie de consciência parcial sempre rodou minha mente, assim como a ideia de que a conjuração depende da Mana entender o que é para acontecer antes de.. bem, acontecer. Já venho desenvolvendo as páginas anteriores tomando isso como linha de base, não quero ter que explicar cada lei, e sim criar apenas uma lei que rege geral o comportamento da Mana e tratar as exceções depois. 

    Enquanto criava acabei dando uma variada na linha de pensamento que decidi por deixar ali, primeiro por que ficou legal, segundo por que ainda tem contexto. Digo à respeito das classes conjuradoras, uma passagem superficial sobre a diferença fundamental das classes. Aqui digo classes conjuradoras pois é como as diversas histórias e jogos os tratam, mas quero remover as correntes que limitam um conjurador, devido aos jogos essa classificação acabou ficando invertida, a classe definindo a magia. Está errado, as pessoas que especializam em algum tipo de magia que receberam nomes, o certo é as magias que alguém conjura que define sua classe, e se não tiver uma classe que engloba as magias escolhidas não é problema, afinal o importante são as magias e não nossas formas de classificar as coisas. 

    Este tema está se provando mais complexo que imaginei inicialmente, e já esperava que fosse ser complexo. Definir como acontece a Manifestação da Magia sem descartar tanta coisa deixa meu trabalho mais difícil, mas ao mesmo tempo o resultado disso vai ser muito mais satisfatório, não estou com pressa pra terminar, quero fazer bem feito. E os próximos passos já foram definidos: detalhar mais sobre as regras da Transformação e da Manifestação, só quando eu conseguir conjurar uma magia mais complexa que Luz que eu vou feliz. =D